Lula: América Latina nunca foi de esquerda, sempre foi de direita
Lula: América Latina nunca foi de esquerda, sempre foi muito de direita
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (5) que a América Latina sempre foi governada pela direita, exceto pelo período em que políticos de esquerda chegaram ao poder, na chamada "onda rosa" do início do século 21. A declaração foi dada em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos.
O que Lula disse: a região vive agora um "revertério", com a vitória de expoentes da extrema direita em vários países. "A América Latina nunca foi de esquerda, sempre foi muito de direita. O melhor momento progressista que a gente viveu na América Latina foi de 2000 a 2012, quando a gente tinha presidentes com a visão democrática e civilizatória avançada. Agora, deu um revertério e a extrema direita começou a ganhar em alguns países", declarou.
Por que a fala de Lula sobre a América Latina ganhou destaque
A afirmação do presidente contraria a narrativa de que a região teria uma tradição majoritariamente progressista. Para Lula, a "onda rosa" foi uma exceção histórica, não a regra. O período citado, de 2000 a 2012, concentrou governos com "visão democrática e civilizatória avançada", nas palavras do próprio presidente.
O contexto atual, segundo ele, é de avanço da extrema direita. A fala reforça o diagnóstico de que a América Latina vive uma nova fase política, com lideranças conservadoras no comando de países como Chile, Peru e Colômbia, todos citados por Lula como exemplos de governos ultraconservadores.
O que Lula planeja para um quarto mandato
Lula disse que, em um eventual quarto mandato, pretende construir uma aliança entre países sul-americanos, mesmo com grande parte deles sendo governada por ultraconservadores. "As pessoas têm que aprender que a relação entre Estados não é ideológica", afirmou.
A declaração sugere uma abordagem pragmática: manter diálogo e cooperação regional independentemente da orientação política dos governos vizinhos. Para o presidente, a relação entre Estados deve priorizar interesses comuns, não alinhamento ideológico.
Impacto prático para o eleitor
A fala de Lula sobre a América Latina pode influenciar a percepção do eleitor sobre a política externa brasileira. Se reeleito, o presidente sinaliza que buscará parcerias com governos de direita na região, o que pode afetar acordos comerciais, integração energética e cooperação em segurança.
Para quem acompanha economia e investimentos, a mensagem é clara: a agenda regional deve priorizar estabilidade e pragmatismo, mesmo com governos ideologicamente distantes. Isso pode abrir espaço para negociações em áreas como infraestrutura e comércio, independentemente do espectro político dos parceiros.
Contexto político: a "onda rosa" e o "revertério"
A "onda rosa" é o nome dado ao período em que governos de esquerda ou centro-esquerda dominaram a América Latina, entre 2000 e 2012. Lula foi um dos protagonistas desse ciclo. Agora, ele reconhece que a extrema direita ganhou terreno em vários países, o que ele chama de "revertério".
A declaração também ocorre em meio à campanha eleitoral, na qual Lula busca a reeleição. A fala pode ser lida como uma tentativa de posicionar o PT como alternativa democrática diante do avanço conservador na região.
O que esperar da política externa em um novo mandato
Se reeleito, Lula deve priorizar a integração sul-americana, mas com um tom menos ideológico. A relação com países como Chile, Peru e Colômbia, hoje governados por ultraconservadores, será testada na prática. A proposta é separar relações institucionais de afinidades políticas.
Para o cidadão comum, o impacto pode aparecer em temas como preço de combustíveis, acordos de livre comércio e cooperação em infraestrutura. A política externa, embora distante do dia a dia, influencia diretamente a economia e o custo de vida.
Perguntas Frequentes
Lula disse que a América Latina nunca foi de esquerda?
Sim. Lula afirmou que a América Latina sempre foi muito de direita, exceto no período de 2000 a 2012, quando a esquerda governou vários países na chamada "onda rosa".
O que é a "onda rosa" mencionada por Lula?
É o período entre 2000 e 2012 em que governos de esquerda ou centro-esquerda lideraram a América Latina, com presidentes de visão democrática e civilizatória avançada, segundo Lula.
O que Lula disse sobre a extrema direita na região?
Ele afirmou que a região vive um "revertério", com a extrema direita ganhando eleições em alguns países.
Lula pretende se aliar a governos de direita?
Sim. Em um eventual quarto mandato, ele pretende construir uma aliança entre países sul-americanos, mesmo com governos ultraconservadores, defendendo que a relação entre Estados não é ideológica.
Quando Lula fez essa declaração?
Nesta quarta-feira (5), em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos.