Lula admite baixa adesão ao Move Brasil e critica bancos
Lula admite baixa adesão ao Move Brasil e critica bancos por travas no crédito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu, neste sábado (8), que o ritmo de contratações do programa MoveBR, destinado à aquisição de veículos por trabalhadores de aplicativo, está abaixo do esperado nos primeiros meses. Ele atribuiu o problema a exigências bancárias para a aprovação dos financiamentos.
O que é o MoveBR e por que ele importa para você: O programa federal libera crédito para compra de motocicletas, carros e táxis por entregadores e motoristas de aplicativo. A ideia é substituir o aluguel de veículos por financiamento próprio, mas a implementação esbarra em travas bancárias que atrasam a liberação dos recursos.
Por que a adesão ao MoveBR está abaixo do esperado?
Lula foi direto ao apontar o gargalo. Segundo ele, o programa esbarra em exigências das instituições financeiras na hora de aprovar o crédito. O presidente citou, sem nomear bancos específicos, cobranças como rating de crédito e a necessidade de o trabalhador já ter conta no banco.
"Resolvemos liberar dinheiro para financiar motocicleta aos entregadores, carro para Uber e táxi. Uma coisa maravilhosa, uma festa, todo mundo ficou muito feliz. Aí, quando a gente começa a colocar em prática, a coisa não anda. O cara vai no banco, fala, explica, aí exige uma coisa de rating (de crédito), exige uma coisa de não ter a conta", criticou o presidente.
A fala expõe um descompasso entre o desenho do programa e a operação real dos bancos. Para o trabalhador que depende do app para sobreviver, cada dia de espera significa renda perdida.
O argumento de Lula sobre o aluguel e o crédito
Lula defendeu que o trabalhador que paga aluguel de veículo já demonstra capacidade de pagamento. Na visão dele, quem consegue arcar com R$ 1.800 mensais de aluguel poderia usar esse mesmo valor para quitar um financiamento.
"O cara estava pagando R$ 1.800 de aluguel, esse dinheiro que ele pagava vai ser dele para pagar as coisas dele. Portanto, só porque deixa de pagar aluguel, ele já está no direito de pegar o dinheiro de financiamento, porque ele vai pagar, mas não deixa", declarou.
O raciocínio é simples: o dinheiro que hoje vai para o locador passaria a construir patrimônio. Mas, na prática, os bancos aplicam critérios de risco que não consideram esse histórico informal.
Pressão sobre Caixa e Banco do Brasil
Para destravar o programa, Lula revelou que já participou de duas reuniões. Numa delas, determinou ao ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, que reunisse 20 trabalhadores que não conseguiram acessar o benefício. O presidente chegou a dizer que queria cem.
O objetivo era pressionar a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, com a participação de integrantes da Fazenda e do Planejamento. A estratégia: mostrar na prática os obstáculos enfrentados pelos beneficiários.
"Eu queria entender porque é que a gente faz um programa e esse programa não anda. Aí foi bonito, acho que ninguém nunca viu uma reunião daquela, com o povo dizendo que tem direito. Dois foram reconhecidos na hora", concluiu Lula.
O reconhecimento imediato de dois casos durante a reunião indica que parte das negativas pode ser revertida com análise mais cuidadosa.
O que isso significa para trabalhadores de aplicativo
Se você é entregador ou motorista de app, o recado é duplo. Primeiro, o governo reconhece publicamente que o programa não está funcionando como planejado. Segundo, há um esforço explícito para pressionar os bancos públicos a flexibilizarem critérios.
Na prática, isso pode significar:
- Maior pressão sobre Caixa e BB para aprovarem financiamentos com menos exigências
- Possibilidade de revisão de casos que foram negados por rating ou falta de conta
- Acompanhamento mais próximo do governo na operação do crédito
Mas é cedo para comemorar. A mudança depende de os bancos ajustarem seus processos internos, o que leva tempo.
Contexto e próximos passos
O programa MoveBR nasceu com a promessa de facilitar o acesso a veículos para quem trabalha com transporte por aplicativo. A baixa adesão inicial, agora admitida pelo próprio presidente, expõe a distância entre o anúncio e a execução.
O governo sinaliza que vai continuar pressionando. As reuniões com a Caixa e o Banco do Brasil devem se repetir até que o fluxo de aprovações deslanche. Para o trabalhador, a recomendação é insistir: se teve o pedido negado, vale procurar a agência e questionar os motivos.
Perguntas Frequentes
O que é o programa MoveBR?
É um programa do governo federal que libera crédito para trabalhadores de aplicativo comprarem motocicletas, carros ou táxis, com o objetivo de substituir o aluguel por financiamento próprio.
Por que a adesão ao MoveBR está baixa?
Segundo o presidente Lula, os bancos estão impondo exigências como rating de crédito e obrigatoriedade de conta bancária, o que dificulta a aprovação dos financiamentos.
Quais bancos estão envolvidos no MoveBR?
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram citados por Lula como alvos de pressão do governo para destravar o crédito.
O que fazer se meu financiamento foi negado?
Procure a agência bancária e questione os motivos da negativa. O governo já sinalizou que vai pressionar os bancos para revisar casos semelhantes.
O governo vai mudar as regras do programa?
Não há anúncio oficial de mudança nas regras. O que existe é um esforço para pressionar os bancos a flexibilizarem critérios internos de análise.
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