Lula: dívida pública não preocupa; déficit de 2,8% citado
Em sabatina na TV Globo, Lula afirmou não se preocupar com a dívida pública, citando déficit herdado de 2,8% do PIB. O presidente relativizou a relação dívida/PIB e culpou o governo anterior pelo rombo fiscal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 27, durante sabatina na TV Globo, que não está preocupado com a dívida pública brasileira. Questionado sobre medidas de ajuste fiscal em um eventual quarto mandato, Lula se esquivou e disse que quer governar o País por mais quatro anos para "fazer esse País crescer", alegando que "já fez o básico que tinha que fazer".
"A mim não preocupa a dívida pública. Eu herdei esse governo com déficit fiscal de 2,8% (do PIB). Sabe quanto vai ser esse ano? Superávit primário de 0,1% (do PIB). Se tem alguém nesse País que tem responsabilidade fiscal sou eu", afirmou, ao ser questionado sobre a trajetória da relação dívida/PIB, que atingiu 81,9% do PIB em junho deste ano.
O presidente também relativizou o percentual, comparando com países desenvolvidos. "80% de dívida para um país não é muito se você olhar para os EUA, Japão, Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB, é de US$ 40 trilhões", disse, ironizando a imprensa pela independência do Banco Central.
Lula culpou o governo de Jair Bolsonaro (PL) pela situação fiscal. Disse que "pegamos o País em uma situação que não tínhamos orçamento para governar, a PEC da transição foi para pagar rombo deixado pelo outro governo. Deixou um rombo de R$ 94 bilhões de dívida com as pessoas que nós tivemos que pagar".
O presidente não respondeu se adotaria medidas de ajuste fiscal em um quarto mandato, apesar de integrantes de sua equipe econômica já terem indicado que isso pode ser necessário. O plano de governo fala, de forma genérica, em "responsabilidade fiscal" e em criar condições para redução sustentada das taxas de juros.
A condução do tema causou atritos na campanha. O ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo, deixou de dar entrevistas após repercussão negativa de falas ao mercado financeiro. Desde então, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tornou-se o principal interlocutor com o setor produtivo política fiscal e impacto nos investimentos.