Lucros das aéreas brasileiras somaram R$ 4,3 bi em 2025, aponta Anac
Segundo relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as companhias aéreas brasileiras registraram lucro líquido de R$ 4,3 bilhões em 2025, revertendo prejuízos de anos anteriores. O resultado reflete a recuperação da demanda e a reestruturação do setor.
O setor aéreo brasileiro fechou 2025 com lucro líquido consolidado de R$ 4,3 bilhões, segundo relatório divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O número inverte a trajetória de perdas dos últimos cinco anos e sinaliza uma recuperação mais consistente para as principais companhias do país.
As companhias aéreas brasileiras somaram lucro líquido de R$ 4,3 bilhões em 2025, conforme relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O resultado representa uma recuperação expressiva frente aos prejuízos acumulados entre 2020 e 2024, impulsionada pela retomada da demanda e pela redução de custos operacionais.
Recuperação após anos de prejuízo
Entre 2020 e 2024, o setor acumulou perdas superiores a R$ 30 bilhões, impactado pela pandemia, pela alta do dólar e pelo custo do querosene de aviação. O lucro de 2025, portanto, marca um ponto de inflexão importante. A Anac atribui o resultado à combinação de maior ocupação das aeronaves, reajuste de tarifas e controle de despesas.
Demanda aquecida e oferta controlada
A demanda por voos domésticos cresceu 8,2% em 2025 na comparação com 2024, enquanto a oferta de assentos aumentou 5,1%, segundo dados da própria Anac. Esse desequilíbrio favoreceu as margens das companhias. A taxa de ocupação média atingiu 83,4%, a maior desde 2019.
Redução de custos operacionais
As aéreas conseguiram reduzir o custo por assento-quilômetro (CASK) em 3,2% em termos reais, puxado pela renegociação de contratos de leasing e pela eficiência no consumo de combustível. O querosene de aviação, que representa cerca de 35% dos custos variáveis, teve alta moderada de 2,1% no ano, abaixo da inflação.
Desempenho individual das companhias
A Azul registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, impulsionada pela demanda corporativa e pela operação de cargas. A Gol apresentou lucro de R$ 1,2 bilhão, beneficiada pela reestruturação financeira e pela venda de ativos. A Latam Brasil contribuiu com R$ 1,1 bilhão, apoiada pela integração regional e pela redução de alavancagem. A Voepass, menor operadora, teve lucro de R$ 0,2 bilhão, concentrado no último trimestre.
Receitas e margens
A receita líquida consolidada do setor atingiu R$ 68,7 bilhões em 2025, alta de 12,4% sobre 2024. A margem líquida média ficou em 6,3%, ainda abaixo do patamar pré-pandemia de 8,1% registrado em 2019. As receitas com passagens responderam por 72% do total, seguidas por bagagens e serviços adicionais (18%) e cargas (10%).
Endividamento e alavancagem
Apesar do lucro, o endividamento líquido do setor somou R$ 38,2 bilhões ao final de 2025, com relação dívida líquida/EBITDA de 3,4 vezes. O indicador melhorou em relação a 2024 (4,1 vezes), mas ainda sinaliza necessidade de desalavancagem nos próximos anos.
Perspectivas para 2026
A Anac projeta crescimento de 6% a 8% na demanda doméstica em 2026, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido e pela expansão do crédito. O câmbio e o preço do petróleo seguem como principais riscos. O ciclo de investimentos em novas aeronaves deve pressionar o fluxo de caixa no curto prazo.
Comparação internacional
O lucro consolidado de R$ 4,3 bilhões coloca o Brasil como o terceiro mercado aéreo mais rentável das Américas, atrás apenas de Estados Unidos e Canadá. A margem líquida de 6,3% supera a média latino-americana de 4,8%, mas fica abaixo dos 9,2% registrados nos EUA.
Perguntas Frequentes
Qual foi o lucro das aéreas brasileiras em 2025?
Segundo a Anac, o lucro líquido consolidado foi de R$ 4,3 bilhões.
Qual companhia aérea lucrou mais em 2025?
A Azul liderou com R$ 1,8 bilhão, seguida por Gol (R$ 1,2 bilhão) e Latam (R$ 1,1 bilhão).
O setor aéreo brasileiro está recuperado?
O lucro de 2025 reverte prejuízos, mas a margem líquida de 6,3% ainda está abaixo dos 8,1% de 2019, e o endividamento segue elevado.
Quais fatores explicam o lucro de 2025?
Demanda aquecida, oferta controlada, redução de custos operacionais e reajuste de tarifas foram os principais vetores.
Como está o endividamento das aéreas?
A dívida líquida soma R$ 38,2 bilhões, com relação dívida líquida/EBITDA de 3,4 vezes.