Lucro da Caixa cresce 5,9% e chega a R$ 3,9 bi no 2º trimestre
A Caixa Econômica Federal divulgou nesta quarta-feira (26) lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 5,9% ante o mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre, o avanço foi de 12,4%. No semestre, porém, o lucro somou R$ 7,4 bilhões, queda de 17,6% em 12 meses.
O resultado veio acompanhado de forte expansão do crédito, especialmente no financiamento imobiliário, mas com aumento da inadimplência e mais provisões para perdas. A margem financeira, que mede os ganhos com juros, alcançou R$ 19,7 bilhões no trimestre, crescimento de 20,2% em um ano.
A carteira de crédito total chegou a R$ 1,448 trilhão em junho, alta de 11,9% em 12 meses. O crédito imobiliário segue como principal negócio, com 69,4% da carteira. O saldo desse segmento atingiu R$ 1,005 trilhão, crescimento de 15% em um ano. De abril a junho, as contratações somaram R$ 137,6 bilhões, alta de 29,3%. A Caixa manteve liderança no mercado habitacional, com participação de aproximadamente 68%.
Inadimplência e provisões em alta
O índice de operações com atraso superior a 90 dias ficou em 3,64%, contra 2,66% um ano antes. O principal ponto de atenção está no agronegócio: a inadimplência no segmento chegou a 20,74%, ante 7,02% no segundo trimestre de 2025. A carteira imobiliária, por sua vez, apresentou índice bem inferior ao das demais modalidades.
Diante do maior risco, a Caixa ampliou as provisões para perdas de crédito, que somaram R$ 6,97 bilhões no trimestre, alta de 97,6% em um ano. Segundo o banco, a concentração em financiamentos habitacionais e operações com garantias reduz as perdas esperadas e dá estabilidade ao crédito.
Rentabilidade recua mesmo com lucro maior
Apesar do lucro maior no trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu para 9,16%, queda de 2,7 pontos percentuais em relação a junho de 2025. A receita com prestação de serviços somou R$ 7,54 bilhões, alta de 12,9% em 12 meses. As despesas administrativas chegaram a R$ 11,44 bilhões, crescimento anual de 5,9%.
Para o investidor que acompanha bancos públicos, o resultado mostra um banco crescendo em crédito, mas com custo maior de risco. A inadimplência no agronegócio, em particular, merece acompanhamento nos próximos trimestres, pois pode pressionar novas provisões e o lucro. análise de resultados de bancos públicos