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Juros a 6%? Economista da XP explica o que faria Selic cair

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) prometeu, no debate da Band, reduzir a taxa básica de juros a 6% com inflação de 3% a 4%. A meta é viável, mas depende de mudanças nas contas públicas antes de um corte mais profundo, avalia o economista da XP Tiago Sbardelotto, no Mapa de Risco do InfoMoney desta sexta-feira (27).

Sbardelotto lembrou que o país já teve juros nesse patamar, na época do teto de gastos. "O teto de gastos era uma regra bastante restritiva que segurou o gasto por muito tempo e permitiu que a taxa de juros neutra caísse e o Banco Central cortasse", afirmou. Hoje, o endividamento público limita o espaço para cortes, já que o governo disputa recursos com o setor privado, pressionando o custo do dinheiro.

Para o economista, uma queda mais expressiva exige primeiro reformas que reduzam o crescimento das despesas obrigatórias. Ele cita nova reforma da Previdência, desvinculação do salário mínimo e combate aos supersalários. "Se a gente fizer essa reforma fiscal, a perspectiva para o endividamento público melhora e o Banco Central ganha espaço para cortar juros", disse.

Sbardelotto ponderou que cortar juros "na marra", sem condições fiscais e inflacionárias, teria efeito contrário: "No dia seguinte, a inflação vai explodir, vai chegar em dois dígitos, como já tivemos no passado". A avaliação é de que a pauta é difícil politicamente, com poucos candidatos dispostos a defendê-la.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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