Juros globais disparam e renovam máximas de décadas
Nova liquidação de títulos globais leva juros soberanos a máximas de décadas. Treasury de 10 anos atinge 4,80%, maior nível desde janeiro de 2025. Entenda o impacto.
Os juros globais dispararam nesta terça-feira (1º) e renovaram máximas de décadas, em meio à reescalada das tensões no Oriente Médio. A nova onda de ataques entre Estados Unidos e Irã impulsionou o petróleo e reacendeu preocupações com inflação às vésperas de decisões de política monetária.
Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários e dívidas de cartão, atingiu 4,80%, maior nível desde janeiro de 2025. No Japão, o JGB de 10 anos subiu a 3%, maior patamar desde 1996. Na Europa, o Gilt britânico de 10 anos alcançou 5,2341%, maior nível desde junho de 2008, e o Bund alemão de 10 anos marcou nova máxima do ano a 3,3546%.
O gatilho comum: o petróleo Brent fechou com alta de 4,6%, a US$ 94,65 o barril, maior nível desde julho. "Sem um caminho claro para a reabertura do Estreito após seis meses de guerra, as preocupações com a inflação permanecem elevadas", avaliam estrategistas do UBS BB. O banco projeta Treasuries de 30 e 10 anos a 5% e 4,5% no fim do ano, e vê volatilidade persistente no curto prazo.
Na contramão do exterior, as taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em baixa. O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, abaixo das expectativas, com retração no consumo das famílias. Isso reforçou a percepção de que o Banco Central caminha para mais cortes da Selic, hoje em 14,00%. O DI para janeiro de 2028 caiu a 13,745%, e o de janeiro de 2035, a 14,5%.
Para o investidor, o cenário tem dois lados. Lá fora, juros altos pressionam ativos de risco e o câmbio. Aqui, a fraqueza da atividade abre espaço para queda da Selic, o que tende a beneficiar quem está em renda fixa prefixada ou em títulos atrelados à inflação. Mas o juro composto não perdoa: com a inflação ainda acima da meta, o BC deve cortar com parcimônia, como avaliou Caio Megale, da XP Investimentos. como investir em tesouro direto impacto da selic na renda fixa