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Juros futuros recuam com fatores domésticos no radar

Os juros futuros recuaram em todos os vencimentos nesta sexta-feira (4), destoando dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, durante maior parte do pregão. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,575%, ante 13,567% do fechamento anterior, baixa de 12 pontos-base.

A DI para janeiro de 2029, de médio prazo, fechou a 13,840%, ante 13,883% do ajuste anterior, recuo de mais de 4 pontos-base. Já o vencimento de longo prazo, para janeiro de 2036, cedeu 8,5 pontos-base e terminou o dia a 14,200%, ante 14,285% da última quinta-feira (20).

A curva de DI negocia dois vetores: desaceleração econômica, inclusive com preocupação em relação ao crédito podendo acentuar a queda, e o noticiário político, resume o gestor de renda fixa e moedas da Asset1, André Shiokawa. Para ele, as pesquisas eleitorais atuaram como principal driver para a curva a termo não só nesta sexta, como ao longo da semana.

O chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, nota que o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) é visto como um pouco mais fiscalista do que o atual governo. Por isso, quando as pesquisas mostram acirramento na disputa, há espaço para os juros caírem. A Pesquisa DataFolha mostrou na quinta que a distância entre Lula e Bolsonaro no segundo turno se reduziu de quatro para dois pontos porcentuais desde agosto. Quaest também mostrou que a vantagem do petista caiu de três para um ponto porcentual desde 14 de agosto. Já a PoderData/Aya mostrou Flávio à frente de Lula, pela primeira vez, com 45% a 44%.

Para Garcia, além de números de atividade desacelerando, a inflação corrente mais baixa e expectativas estáveis também ajudam a curva. Nesta sexta, a XP Investimentos destacou a leitura de antecipação da desaceleração projetada para o ano que vem, o que a fez reduzir a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 2026, de 2% para 1,7%.

Nos EUA, os Treasuries avançaram após o relatório de empregos mostrar crescimento muito acima das projeções, reforçando a perspectiva de que o Fed poderá manter ou até aumentar as taxas. A economia americana abriu 162 mil vagas em agosto, segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), com desemprego estável em 4,1%. Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de alta em setembro subiu de cerca de 50,4% para 58%.

Na avaliação de Vinicius Flores, gestor e sócio da Stratton Capital, o payroll reforça uma economia forte e resiliente, que continua crescendo apesar de eventos como as tarifas de Donald Trump e o choque no preço do petróleo causado pela guerra no Irã.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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