Economia

Juros futuros perdem força com eleições e Treasuries

ResumoOs juros futuros brasileiros recuaram em quase todos os vencimentos nesta quinta-feira (3), refletindo a queda dos rendimentos dos Treasuries americanos e a acomodação do cenário eleitoral doméstico. O movimento reduziu prêmios de risco em prazos médios e longos, com investidores monitorando a disputa presidencial e dados externos para calibrar expectativas de política monetária.

Os juros futuros recuaram em quase todos os vencimentos nesta quinta-feira (3), acompanhando a perda de força dos Treasuries e o quadro eleitoral. Veja os números e o que esperar.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 04 de setembro de 2026
Juros futuros perdem força com eleições e Treasuries

Os juros futuros perderam força nesta quinta-feira (3), com a curva recuando em quase todos os vencimentos. O movimento veio em linha com a moderação dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, e com os reflexos positivos do quadro eleitoral. Para quem acompanha renda fixa, o recuo sinaliza mudanças no custo do dinheiro nos próximos anos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou estável em 13,575%. Já o vencimento de médio prazo, janeiro de 2029, caiu de 13,950% para 13,885%, um recuo de 6,5 pontos-base. No longo prazo, o DI para janeiro de 2036 cedeu 3,5 pontos-base, terminando o dia a 14,285%, ante 14,320% do fechamento anterior.

Nos Estados Unidos, o yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,340%, por volta de 18h05 (horário de Brasília), ante 4,334% do ajuste anterior. O retorno do título de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, subia para 4,772%, de 4,762% da última quarta-feira.

Os investidores seguiram atentos ao cenário eleitoral apertado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na pesquisa Futura divulgada nesta quinta-feira, Lula lidera com 38,7% no principal cenário de primeiro turno, e Flávio aparece com 33,6%. A pesquisa também apontou empate técnico em um eventual segundo turno: Lula recuou de 46,3% para 45,6% das intenções de voto entre junho e julho, enquanto Flávio caiu de 46,2% para 45,2%.

No exterior, os Treasuries fecharam perto da estabilidade após falas do diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller. Ele afirmou que, se os próximos dados confirmarem a diminuição das pressões inflacionárias, está inclinado a defender a manutenção da taxa de juros na próxima reunião do Fed. "Minha decisão sobre a postura adequada da política monetária será fortemente influenciada pelo que soubermos sobre a inflação de agosto", disse Waller em discurso no Reuters NEXT Newsmaker, em Washington.

Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de alta nos juros pelo Fed em setembro caiu de cerca de 63% na quarta-feira (2) para 50,4% hoje. Amanhã, o mercado monitora o payroll, principal dado do mercado de trabalho dos EUA acompanhado pelo Fed.

Para o investidor brasileiro, a leitura é direta: juros futuros em queda tendem a reduzir a atratividade de títulos pós-fixados atrelados ao CDI no longo prazo, mas podem abrir espaço para papéis prefixados com taxas ainda elevadas. O cenário eleitoral e a política monetária americana seguem como os dois grandes vetores de curto prazo. como investir em renda fixa em 2026

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