Juros futuros a partir de janeiro de 2028 fecham em alta em sessão de volatilidade
Os juros futuros a partir de janeiro de 2028 fecharam em alta nesta segunda-feira, em meio à volatilidade causada pela escalada do conflito entre EUA e Irã. O DI para janeiro de 2028 subiu 2 pontos-base, para 14,12%, enquanto a ponta longa também avançou. A guerra no Oriente Médi
Juros futuros a partir de janeiro de 2028 fecham em alta em sessão de volatilidade
Os juros futuros a partir de janeiro de 2028 fecharam em alta nesta segunda-feira, com o DI para janeiro de 2028 subindo 2 pontos-base, para 14,12%. A sessão foi marcada por volatilidade, alternando altas e baixas, influenciada pelo agravamento do conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio e pela alta firme dos rendimentos dos Treasuries, que subiram 5 pontos-base, a 4,592%.
Por que os juros futuros subiram com a guerra no Oriente Médio
O cenário nebuloso da guerra no Oriente Médio foi o principal motor da sessão. A Guarda Revolucionária do Irã disse mais cedo ter atacado alvos militares dos EUA em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios norte-americanos contra cidades iranianas. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu vingança contra o Irã pela morte de soldados norte-americanos. Essa escalada elevou a aversão ao risco e pressionou as taxas dos DIs, que oscilaram entre altas e baixas em diferentes momentos do dia.
Impacto dos Treasuries e do petróleo Brent na curva de juros
Os rendimentos dos Treasuries tiveram altas firmes, com o Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, subindo 5 pontos-base, a 4,592% às 16h35, em meio às preocupações com os efeitos inflacionários da guerra. O petróleo Brent, que chegou a superar os US$ 90 o barril mais cedo, mostrou maior acomodação durante a manhã, chegando a ceder em alguns momentos, para à tarde voltar a subir. Essa volatilidade no petróleo também influenciou as taxas dos DIs, que acompanharam o movimento.
Taxas dos DIs: janeiro de 2027, 2028 e 2035
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 13,915%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,962% da sessão anterior. O DI para janeiro de 2028 marcava 14,12%, em alta de 2 pontos-base ante 14,105%. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,62%, com elevação de 3 pontos-base ante 14,591%.
Volatilidade intraday: de 14,005% a 14,155%
Após atingir a máxima de 14,155% (+5 pontos-base) às 9h04, logo após a abertura, a taxa do DI para janeiro de 2028 marcou a mínima de 14,005% (-10 pontos-base) às 10h30, para depois retornar ao pico de 14,155% às 15h41, encerrando o dia em alta. Essa oscilação reflete a incerteza dos agentes diante do conflito e da agenda esvaziada no Brasil.
Projeções do boletim Focus: inflação e Selic
Pela manhã, o boletim Focus mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação neste ano variou de 5,16% para 5,15% e no ano que vem seguiu em 4,20%. O IPCA projetado para 2026 recuou para 5,15%, acumulando sua terceira semana consecutiva de queda. Já a taxa básica Selic projetada para o fim de 2026 permaneceu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base ainda este ano. Para o encerramento de 2027, a Selic esperada seguiu em 12,00%. Atualmente, a taxa básica está em 14,25% ao ano.
O que esperar do Copom em agosto e setembro
No mercado, investidores e analistas esperam, em sua maioria, por um corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, mas há dúvidas sobre o que o Banco Central fará na reunião seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro. Na última quinta-feira, atualização mais recente, a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 81% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 18,9% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Para setembro, os percentuais eram de 52% para novo corte de 25 pontos-base e 39% para manutenção.
"A reunião de setembro depende de como vai evoluir o conflito entre EUA e Irã e de como será o comportamento do petróleo", pontuou o estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno.
Perguntas Frequentes
O que são juros futuros?
Juros futuros são as taxas de juros negociadas no mercado futuro, que refletem as expectativas do mercado para a Selic e outros indicadores. Os DIs (Depósitos Interfinanceiros) são os contratos mais líquidos, com prazos que vão de curto a longo prazo.
Por que os juros futuros sobem com a guerra?
Conflitos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio, elevam a aversão ao risco e pressionam as taxas de juros futuros. Isso ocorre porque aumentam as expectativas de inflação, devido à alta do petróleo, e reduzem a probabilidade de cortes na Selic.
Qual a relação entre Treasuries e DIs?
Os Treasuries são títulos do governo dos EUA e servem como referência global. Quando os rendimentos dos Treasuries sobem, as taxas dos DIs tendem a acompanhar, pois investidores exigem prêmios maiores para aplicar em mercados emergentes como o Brasil.
O que o Copom deve fazer em agosto?
Segundo a precificação das opções de Copom na B3, há 81% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto. Para setembro, a probabilidade de novo corte é de 52%, mas depende da evolução do conflito e do petróleo.
Como o petróleo Brent afeta os juros futuros?
O petróleo Brent impacta diretamente a inflação, especialmente combustíveis e transportes. Se o preço sobe, as expectativas de inflação aumentam, reduzindo a margem para cortes na Selic e elevando as taxas dos DIs.
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