Juros futuros avançam com STF e petróleo no radar
A curva de juros futuros ganhou força nos vencimentos de médio e longo prazo nesta terça-feira (15). Dois fatores dominaram o pregão: a nova rodada de alta do petróleo Brent, que se aproxima dos US$ 110, e o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Na véspera da Super Quarta, a curva doméstica mostra 96% de chance de que a Selic seja reduzida dos 14% ao ano para 13,75% em setembro. O juro composto não perdoa quem ignora o custo de carregar posição errada nesse ambiente.
O que aconteceu com as taxas de DI
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,580%, ante 13,585% do fechamento anterior, perto da estabilidade.
A taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, terminou as negociações em 13,940%, contra 13,867% do fechamento anterior, avanço de mais de 7 pontos-base. Já a DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 10 pontos-base e fechou o dia a 14,375%, ante 14,275% do fechamento da última sexta-feira (14).
Para Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, o movimento tem nome: "O protagonista na abertura dos juros é a espécie de crise institucional no STF que, para a atividade econômica, é muito importante. Nesse ambiente de insegurança, o mercado financeiro captura essa incerteza e transforma em algum prêmio".
A sessão plenária sobre Moraes teve tensão entre o presidente do STF, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino, além de bate-boca entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, com Moraes acusando parcialidade do colega na apuração. Gilmar Mendes apresentou uma ordem defendendo a suspensão do julgamento, mas por volta das 17h Fachin disse que a percepção é de que tanto Moraes quanto Mendonça devem votar.
Petróleo, Tesouro e o cenário externo
Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, aponta que a apreensão com a discussão faz o mercado recolher a guarda. A alta dos juros também reflete o "ambiente externo mais adverso, com escalada da guerra que faz os preços derivados do petróleo avançarem".
O Brent para novembro subiu 2,9%, a US$ 108,75 por barril, após ataques dos houthis, do Iêmen, a um importante oleoduto na Arábia Saudita. Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos operava a 4,671%, ante 4,634% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília). O retorno do título de 10 anos subia para 5,006%, de 4,961% da última segunda-feira, batendo a máxima de 5,041%, o maior nível desde 2007.
No quadro técnico, o Tesouro Nacional vendeu a oferta total de 1,15 milhão de NTN-B e de 750 mil LFT. Almeida, da Suno, avaliou: "Mesmo nesse cenário de incerteza, que conta também com pesquisas eleitorais, o mercado tem mostrado apetite para absorver essas emissões, o que é positivo para o Tesouro".
No front eleitoral, pesquisa CNT/MDA mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando as intenções de voto no segundo turno acima da margem de erro, com 47,3%, contra 40% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Já a pesquisa Indexa/Broadcast tem Lula com 43%, ante 42% de Flávio, empate técnico. O mercado espera alta de 0,25 ponto percentual na decisão do Federal Reserve (Fed), diante da dinâmica inflacionária e dos preços elevados do petróleo.