Juros futuros cedem em toda a curva com pausa dos ataques entre EUA e Irã
As taxas dos DIs fecharam em queda na segunda-feira (27), refletindo o alívio nos mercados globais após a pausa nos ataques entre EUA e Irã. Com o petróleo Brent caindo mais de 6%, a curva de juros futuros cedeu, e o mercado já projeta um novo corte da Selic na próxima semana.
Juros futuros cedem em toda a curva com pausa dos ataques entre EUA e Irã
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a segunda-feira (27) em queda, refletindo o maior apetite ao risco nos mercados globais após a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã. O movimento fez o petróleo e os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) recuarem.
No fim da tarde, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2028 estava em 14,03%, ante o ajuste de 14,167% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,675%, ante 14,703%.
Por que a pausa nos ataques entre EUA e Irã derrubou os juros?
A trégua diplomática reduziu a aversão ao risco global. No fim de semana, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse ao programa "Fox News Sunday" que o presidente Donald Trump havia decidido suspender os ataques para dar mais tempo à diplomacia. Já na segunda-feira, Trump afirmou que os EUA mantêm "boas negociações" com o Irã e que "há uma boa chance de que algo possa acontecer" em relação a um possível acordo. Ele também ameaçou com uma "forte ação militar" caso a diplomacia fracasse.
A notícia foi bem recebida pelos mercados, fazendo os contratos futuros do petróleo Brent, negociados para outubro, caírem mais de 6%, fechando a US$ 85,87 o barril, menor valor desde 17 de julho. "Quando há uma tendência de que o conflito seja resolvido é natural que as curvas de juros futuros deem uma corrigida", disse Gabriel Felix, especialista de alocação da Blue3 Investimentos.
O que o alívio global significa para a renda fixa brasileira?
O movimento refletiu nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos, que caminharam para a maior queda em um único dia em um mês. Às 16h49 (horário de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos - referência global para decisões de investimento - caía 4 pontos-base, a 4,639%.
No âmbito doméstico, o destaque do dia foi o Relatório Focus do Banco Central, que mostrou que a expectativa para a alta da inflação, medida pelo IPCA em 2026, caiu a 5,12%, de 5,15% na semana anterior. Contudo, as projeções para a inflação no próximo ano e em 2028 subiram 0,02 ponto percentual, respectivamente a 4,22% e 3,80%.
A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que segue a expectativa de que o Copom reduza a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana, a 14,00%, terminando o ano neste patamar. Para 2027, foi mantida a projeção de que a Selic ficará em 12,0%.
Como aproveitar o cenário de juros em queda?
Com a curva de juros futuros cedendo, os ativos de renda fixa pré-fixada e indexados à inflação tendem a se valorizar. Para quem busca proteção, os títulos atrelados ao IPCA podem ser uma opção, já que a inflação esperada ainda está acima da meta. O mercado também projeta um novo corte da Selic, o que pode reduzir a rentabilidade dos fundos DI.
Ao longo da semana, as atenções se voltam para o IPCA-15 de julho na terça-feira (28) e para a decisão de juros do Federal Reserve, na quarta-feira (29).
Perguntas Frequentes
O que são juros futuros?
São as taxas negociadas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) que refletem as expectativas do mercado para a Selic e a inflação futura.
Por que a pausa entre EUA e Irã afeta os juros no Brasil?
Porque reduz o risco geopolítico global, derruba o petróleo e os Treasuries, o que diminui a aversão ao risco e permite que as taxas locais caiam.
O que é o Relatório Focus?
É uma pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 100 economistas que projeta inflação, juros e PIB.
Quando o Copom vai decidir a nova Selic?
Na reunião da próxima semana, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual, para 14,00%.
O que o investidor deve fazer com juros caindo?
Avaliar títulos pré-fixados e indexados à inflação, que tendem a se valorizar com a queda das taxas futuras.