Economia

Juiz flagrado bebendo vinho e fumando em audiência: afastamento

ResumoO juiz Milton Lívio Lemos Salles foi afastado imediatamente pela Corregedoria de Minas Gerais após investigação por consumo de vinho e cigarro em audiência virtual. Salles gravou vídeo acusando tribunais de corrupção, mas a conduta motivou a medida administrativa. O afastamento ocorre enquanto o processo disciplinar apura as irregularidades registradas durante o ato judicial.

O juiz Milton Lívio Lemos Salles, alvo de investigação por fumar e beber vinho em audiência virtual, gravou vídeo acusando tribunais de corrupção. A Corregedoria de MG determinou afastamento imediato.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 12 de agosto de 2026
Juiz flagrado bebendo vinho e fumando em audiência: afastame

Juiz flagrado bebendo vinho e fumando em audiência diz que 'STJ, STF e Moraes são corruptos'

O juiz Milton Lívio Lemos Salles, alvo de investigação da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais por fumar e entornar uma garrafa de vinho durante audiência virtual, gravou vídeo nesta terça-feira (11) acusando a Corte mineira de "difamação" e afirmando que o Tribunal estadual, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes "são todos corruptos". Com 36 anos de carreira, Salles diz ter "conhecimento de causa" sobre as acusações.

O que aconteceu com o juiz flagrado em audiência?

O afastamento de Salles foi determinado pelo corregedor-geral da Justiça de Minas, desembargador Raimundo Messias Júnior, após o magistrado ser flagrado de bermuda em audiência, tomando vinho no gargalo e fumando cigarro aceso com um maçarico. Messias Júnior atribui ao magistrado evidências de incompatibilidade com os deveres de dignidade, honra, decoro e prudência.

A decisão, tomada nesta terça-feira, antecipou a reunião do Órgão Especial do Tribunal, prevista para quarta-feira (12), que definiria medidas diante do episódio. O corregedor também mandou suspender as credenciais e permissões de acesso funcional de Salles aos sistemas judiciais e administrativos do TJ-MG e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incluindo ferramentas de tramitação processual.

Quais as acusações do juiz no vídeo?

No vídeo de 14 segundos publicado nas redes sociais, Salles afirma: "Olha, estou cansado, muito cansado. Estou no vinho, tomando meu café e curtindo minha mulher. Sei de muita coisa desse tribunal", referindo-se ao Tribunal de Minas. Ele cita nomes de colegas: "Sei de corrupção do Nelson Missias, do Gilson Lemos, do Luiz Carlos, do Vicente, da compra de mais de 170 Corolas híbridos. Vocês me dão vergonha. Sabe por quê? O tribunal não existe".

Vicente de Oliveira Silva é o atual presidente do TJ de Minas. Gilson Lemos é ex-presidente do tribunal. Luiz Carlos Corrêa Júnior foi corregedor-geral; Nelson Missias também foi presidente da Corte mineira. A reportagem pediu manifestação dos citados; o espaço está aberto.

O que diz o juiz sobre a própria carreira?

Salles prossegue: "Hoje só existe computador e os prédios vazios, custando luz, energia e funcionários. Eu tenho coragem de bater no peito. Meu nome é Milton Lívio Lemos Salles, filho do Tibagy Salles (ex-desembargador do TJ de Minas)". Ao final, fez um desafio: "E se alguém quiser bater de frente comigo, em alguma TV, no Jornal Nacional, o que é que seja, eu estou à disposição. Muito obrigado".

Quais as medidas disciplinares aplicadas?

Além do afastamento, Salles está proibido de usar veículos oficiais da frota do Tribunal. Por segurança institucional, o corregedor mandou expedir ofício à Polícia Federal e ao Exército comunicando a suspensão do direito ao porte e registro de arma de fogo.

Para o corregedor, o afastamento preventivo tem natureza excepcional, instrumental e provisória. A finalidade, segundo o desembargador, é preservar as condições necessárias à regular apuração dos fatos e impedir que a manutenção do magistrado no exercício das funções "comprometa a instrução ou outros bens institucionais cuja proteção não possa aguardar a conclusão do procedimento disciplinar".

O que dizem os tribunais citados?

O Estadão pediu manifestação dos três tribunais citados e do ministro Alexandre de Moraes sobre as acusações de Milton Lívio Lemos Salles. O espaço está aberto para manifestação. Até o momento, não há resposta pública registrada na fonte.

Perguntas Frequentes

O juiz foi preso?

Não. O juiz Milton Lívio Lemos Salles foi afastado preventivamente pela Corregedoria do TJ-MG, mas não há registro de prisão na fonte.

O que motivou o afastamento?

O afastamento foi motivado pelo vídeo em que Salles faz acusações, somado ao episódio anterior de fumar e beber vinho em audiência virtual.

Quem é o corregedor-geral de Justiça de Minas?

O desembargador Raimundo Messias Júnior é o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais e determinou o afastamento imediato.

O juiz pode voltar ao cargo?

O afastamento é provisório e excepcional, conforme a decisão do corregedor. A reunião do Órgão Especial do Tribunal, prevista para quarta-feira (12), deve definir os próximos passos.

Quais são os nomes citados pelo juiz?

Salles citou Nelson Missias, Gilson Lemos, Luiz Carlos e Vicente, além de mencionar a compra de mais de 170 Corolas híbridos. Vicente de Oliveira Silva é o atual presidente do TJ-MG; Gilson Lemos é ex-presidente; Luiz Carlos Corrêa Júnior foi corregedor-geral; Nelson Missias também presidiu a Corte.

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