Japão gastou US$ 96,5 bi para sustentar iene em um mês
O Japão gastou 15,4 trilhões de ienes (US$ 96,5 bilhões) em intervenções cambiais no último mês, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério das Finanças. O montante recorde, referente ao período de 30 de julho a 26 de agosto, foi usado para sustentar a moeda, que havia caído aos níveis mais baixos em quatro décadas, perto de 164 por dólar.
A magnitude da intervenção mostra a determinação de Tóquio em conter a desvalorização, que ameaça os lucros das principais exportadoras e eleva os custos de importação, especialmente de energia. O Japão importa quase toda a sua energia, sendo que 95% dela vem do Oriente Médio, o que o expõe a interrupções no abastecimento causadas pela guerra no Irã.
O ritmo lento do aperto monetário do Banco do Japão mantém as taxas de juros baixas frente a mercados como o dos EUA, incentivando investidores a usar o iene barato para financiar transações globais. O Banco do Japão manteve os juros inalterados em julho, mas sinalizou disposição para acelerar o aperto; o mercado atribui 65% de probabilidade a um aumento na reunião de setembro.
O Banco do Japão comprou ienes nos dias 30 e 31 de julho, incluindo uma rara ação conjunta com os EUA. O Banco da Coreia também sincronizou a compra de wons para ampliar a eficácia. Dados do Banco do Japão sugerem que a intervenção de 30 de julho pode ter chegado a 9,6 trilhões de ienes, superando o recorde diário de 6,3 trilhões de 30 de abril.
O iene disparou de cerca de 163 por dólar para até 155,20 em 3 de agosto, estabilizando-se em torno de 159,50 desde 10 de agosto. Para reforçar a capacidade de intervenção, Washington afirmou que Tóquio pode usar o mecanismo de apoio do Federal Reserve, criado em 2020, que permite aumentar liquidez em dólares sem vender títulos do Tesouro dos EUA. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que fará "o que for necessário" para apoiar Tóquio, alertando que a subvalorização do iene pode gerar desvalorizações competitivas.
Para consumidores e empresas, o ceticismo técnico é necessário: a intervenção recorde não resolve o diferencial de juros, e a pressão sobre o iene deve continuar até que o BoJ sinalize alta concreta. Importadores de energia e varejo seguem expostos a custos mais altos, enquanto o efeito da ação cambial tende a ser temporário.