Economia

Irã reitera doutrina 'olho por olho' e promete retaliação a ataques

ResumoO Irã, por meio do ministro Seyed Abbas Araghchi, reafirmou a doutrina de defesa 'olho por olho' e prometeu retaliação a qualquer agressão, incluindo ataques à infraestrutura. A declaração, feita em 22 de novembro, estabelece que o Irã responderá com uma 'resposta poderosa e decisiva' a ações hostis, em meio a tensões regionais elevadas.

O Irã reafirmou nesta quarta-feira, 22, sua doutrina de defesa 'olho por olho', com o ministro Seyed Abbas Araghchi declarando que qualquer agressão, inclusive contra infraestrutura, será respondida com uma 'resposta poderosa e decisiva'. A declaração ocorre em meio a tensões ren

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 23 de julho de 2026
Irã reitera doutrina 'olho por olho' e promete retaliação a ataques

Irã reafirma doutrina 'olho por olho' e promete retaliação a qualquer agressão

O governo do Irã voltou a reforçar sua posição de defesa nesta quarta-feira, 22, com o ministro de Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, reafirmando a doutrina 'olho por olho' de Teerã. Em declaração publicada na rede X, Araghchi enfatizou que qualquer agressão contra o país persa, incluindo ataques à infraestrutura, será respondida com uma 'resposta poderosa e decisiva'. 'Aqueles que contribuírem para tal agressão, qualquer que seja o tipo de apoio, também serão considerados alvos legítimos', acrescentou o chanceler.

A declaração ocorre em um momento de tensão renovada entre Irã e Estados Unidos. As duas nações estavam em um cessar-fogo e negociavam um acordo para encerrar a guerra, mas, segundo a fonte, voltaram a se atacar há quase duas semanas. O contexto inclui ainda críticas de Teerã ao silêncio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) diante de ameaças americanas de bombardeio a um complexo subterrâneo que, segundo o Irã, não abriga centrífugas.

A posição iraniana: resposta decisiva e alvos legítimos

A reafirmação da doutrina 'olho por olho' não se limita a ameaças diretas. Araghchi deixou claro que qualquer nação ou entidade que ofereça suporte a uma eventual agressão contra o Irã será considerada 'alvo legítimo'. A declaração abrange todos os tipos de apoio, sem especificar quais. Essa postura, típica da estratégia de dissuasão iraniana, busca desencorajar não apenas ataques diretos, mas também a colaboração logística, militar ou política de terceiros.

Críticas ao Congresso dos EUA e à 'guerra cruel'

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, também se manifestou, classificando como 'vergonhosa' a audiência recente do secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, no Congresso americano. Segundo Baqaei, nenhuma pergunta foi feita sobre as 'dimensões humanas desta guerra cruel'. A declaração reflete a insatisfação iraniana com o que considera uma abordagem unilateral e desumana do conflito por parte dos Estados Unidos.

Negociador iraniano alerta Europa sobre riscos

Em uma reunião realizada nesta quarta-feira com 25 embaixadores e encarregados de negócios europeus, o vice-ministro das Relações Exteriores e negociador do Irã, Kazem Gharibabadi, reforçou que o conflito atual não gera nenhum avanço estratégico para os EUA e coloca em risco a paz e a segurança regional e global. Em publicação no X, Gharibabadi afirmou: 'Além disso, espera-se que a Europa proteja a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, e condene a agressão'.

O negociador foi além, alertando os governos europeus de que disponibilizar bases e território 'ao agressor os colocará na categoria de agressores'. O recado é direto: qualquer nação europeia que permita o uso de seu solo para operações militares contra o Irã será tratada como parte beligerante.

Alerta da Guarda Revolucionária sobre rotas marítimas

O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), Sardar Mahbi, emitiu um alerta para empresas de navegação que operam na região. Segundo ele, a rota ao sul do Estreito de Ormuz está minada. 'Não caiam no engodo da América, a assassina de crianças', escreveu Mahbi em uma rede social. O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, por onde transita cerca de 20% do petróleo global. Qualquer ameaça à navegação na área pode ter impactos significativos nos preços do petróleo e na segurança energética global.

O que muda com a nova declaração?

A reafirmação da doutrina 'olho por olho' não representa uma mudança na política de defesa iraniana, mas sim um recado em um momento de escalada. A diferença agora é o tom mais explícito e a abrangência das ameaças, que incluem não apenas ataques diretos, mas também qualquer forma de apoio a agressores. O alerta sobre minas no Estreito de Ormuz, se confirmado, eleva o risco para o comércio marítimo internacional e pode pressionar ainda mais as relações diplomáticas.

Para analistas de segurança, o movimento iraniano busca dissuadir tanto os EUA quanto aliados europeus de uma ação militar coordenada. A menção à AIEA e ao silêncio da agência diante das ameaças americanas sugere que Teerã tenta usar o direito internacional como escudo, enquanto prepara o terreno para uma resposta militar, caso necessário.

Perguntas Frequentes

O que é a doutrina 'olho por olho' do Irã?

É uma estratégia de defesa que prega retaliação proporcional a qualquer agressão. O ministro Seyed Abbas Araghchi a reafirmou, prometendo resposta 'poderosa e decisiva' a ataques.

Quem é Seyed Abbas Araghchi?

É o ministro das Relações Exteriores do Irã, responsável pela declaração que reafirmou a doutrina de defesa do país.

O que a Guarda Revolucionária disse sobre o Estreito de Ormuz?

O porta-voz Sardar Mahbi alertou que a rota ao sul do estreito está minada, pedindo que empresas de navegação evitem a área.

Qual a posição da Europa no conflito?

O Irã alertou que países europeus que disponibilizarem bases ou território para ataques contra o Irã serão considerados 'agressores'.

O que mudou nas relações Irã-EUA?

As duas nações estavam em cessar-fogo e negociavam um acordo, mas voltaram a se atacar há cerca de duas semanas, segundo a fonte.

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