Economia

Irã e Emirados Árabes apoiam declaração do Brics

ResumoIrã e Emirados Árabes Unidos aderiram à declaração conjunta do Brics que pede moderação na guerra do Oriente Médio, durante cúpula em Nova Délhi. A adesão de países historicamente divididos pelo conflito é interpretada como sinal de progresso diplomático e reforça o papel do bloco na mediação regional.

Irã e Emirados Árabes Unidos aderiram neste sábado (12) à declaração conjunta do Brics que apela à moderação na guerra no Oriente Médio. O gesto é lido como sinal de progresso diplomático entre países divididos pelo conflito, na cúpula de Nova Délhi.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 14 de setembro de 2026
Irã e Emirados Árabes apoiam declaração do Brics

O Irã e os Emirados Árabes Unidos aderiram neste sábado (12) a uma declaração conjunta do Brics que apela à moderação na guerra no Oriente Médio. O movimento é tratado por diplomatas como um sinal de progresso nas relações entre dois países que estão em lados opostos do conflito.

A adesão ocorreu à margem do primeiro dia da cúpula do Brics em Nova Délhi. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi no encontro de mais alto nível entre os dois países desde o início da guerra.

Segundo a assessoria de imprensa de Abu Dhabi, em publicação no X, os dois líderes discutiram questões regionais e internacionais, a redução da tensão, a estabilidade e os esforços para promover a paz e o desenvolvimento na região. A nota não menciona qualquer resultado concreto das discussões.

O que mudou com a declaração conjunta do Brics

O texto aprovado pelo bloco expressa preocupação com a escalada das tensões e pede contenção. A declaração apela à proteção dos civis, insta ao respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados e enfatiza a necessidade de proteger o comércio global, as cadeias de abastecimento, os fluxos de energia e a segurança marítima.

O trecho central do documento afirma: "Expressamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental... apelamos para que se exerça a máxima moderação, bem como para que se evitem ações que possam agravar ainda mais a situação".

O ponto que chama atenção na cúpula é o esforço dos organizadores e diplomatas para superar a divisão entre Irã e Emirados Árabes Unidos. O gesto ocorre em um momento em que Estados Unidos e Irã retomaram ataques recíprocos em uma guerra que já dura seis meses.

A dimensão do esforço diplomático fica clara quando se olha para o histórico recente. O Irã lançou ataques repetidos contra os Emirados Árabes Unidos durante o conflito. O mais recente ocorreu no final de agosto, quando teve como alvo a Base Aérea de Al Minhad, que abrigava forças e helicópteros dos EUA.

Por que a cúpula do Brics é um teste diplomático

A cúpula do Brics funciona como um teste à influência diplomática de um bloco criado em 2009 para desafiar uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais. A composição original reunia Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O grupo se expandiu e passou a incluir Egito, Etiópia e Indonésia, além do Irã e dos Emirados Árabes Unidos. Essa ampliação coloca lado a lado países com posições divergentes sobre o conflito no Oriente Médio, o que dá peso simbólico à declaração conjunta.

Para o mercado, a leitura é direta: qualquer sinal de redução de tensão no Golfo afeta o prêmio de risco embutido no petróleo e nos ativos de renda variável de países importadores. A menção explícita à proteção dos fluxos de energia e da segurança marítima no texto do Brics é o ponto que interessa a quem acompanha a macro. impacto do petróleo no dólar

O que a declaração pede na prática

O documento do Brics não estabelece prazos, mecanismos de verificação ou compromissos vinculantes. Os itens listados são princípios:

  • Proteção de civis no conflito
  • Respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados
  • Preservação do comércio global
  • Manutenção das cadeias de abastecimento
  • Segurança dos fluxos de energia
  • Segurança marítima

A ausência de resultado concreto também aparece na nota de Abu Dhabi sobre a reunião entre Pezeshkian e o príncipe herdeiro. A assessoria informou os temas discutidos, mas não detalhou desfechos.

O que observar depois da cúpula

O primeiro ponto é se a adesão de Irã e Emirados Árabes Unidos à declaração se traduz em alguma medida prática nos próximos dias ou se permanece no campo simbólico. O histórico do conflito, com seis meses de duração e ataques recíprocos recentes, sugere cautela.

O segundo é a resposta dos Estados Unidos, que retomaram ataques contra o Irã e mantêm forças na região, incluindo na Base Aérea de Al Minhad. Sem sinalização de Washington, o efeito prático da declaração tende a ser limitado.

O terceiro é o comportamento dos preços de energia. A declaração menciona explicitamente os fluxos de energia e a segurança marítima, dois canais pelos quais o conflito chega aos mercados globais. Para o investidor, a pergunta é se o texto do Brics antecipa alguma redução de risco ou se serve apenas como registro diplomático.

Perguntas Frequentes

O que diz a declaração conjunta do Brics sobre a guerra?

O texto expressa profunda preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental e apela à máxima moderação, pedindo que se evitem ações que possam agravar a situação. Também defende a proteção de civis, o respeito à soberania dos Estados e a segurança do comércio global, das cadeias de abastecimento, dos fluxos de energia e da segurança marítima.

Quem apoiou a declaração do Brics?

O Irã e os Emirados Árabes Unidos aderiram à declaração conjunta neste sábado (12). O anúncio ocorreu à margem do primeiro dia da cúpula do Brics em Nova Délhi.

Houve reunião entre Irã e Emirados Árabes na cúpula?

Sim. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi. Foi o encontro de mais alto nível entre os dois países desde o início do conflito. A assessoria de imprensa de Abu Dhabi informou que os líderes discutiram questões regionais e internacionais, redução de tensão, estabilidade e esforços pela paz, sem mencionar resultado concreto.

O que o Irã fez contra os Emirados durante o conflito?

O Irã lançou ataques repetidos contra os Emirados Árabes Unidos durante a guerra. O mais recente ocorreu no final de agosto, quando teve como alvo a Base Aérea de Al Minhad, que abrigava forças e helicópteros dos EUA.

Quais países formam o Brics atualmente?

O bloco foi criado em 2009 com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Depois, se expandiu para incluir Egito, Etiópia e Indonésia, além do Irã e dos Emirados Árabes Unidos.

A declaração do Brics tem efeito prático imediato?

O documento não estabelece prazos nem mecanismos de verificação. Os itens listados são princípios, e a nota sobre a reunião entre Irã e Emirados não detalhou desfechos. O efeito prático depende de desdobramentos nos próximos dias e da resposta de outros atores envolvidos no conflito.

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