Irã afirma que negociações sobre Ormuz estão em andamento após Trump cancelar ataques
O Irã indicou que as negociações para aumentar o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz estão progredindo, após o presidente Donald Trump cancelar um grande ataque à República Islâmica. O Brent recuou cerca de 4,5%, para pouco mais de US$ 83 o barril, com as discussões entre T
Irã afirma que negociações sobre Ormuz estão em andamento após Trump cancelar ataques
O Irã sinalizou que as negociações para ampliar o número de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz estão progredindo, depois que o presidente Donald Trump cancelou o que classificou como um grande ataque à República Islâmica. O preço do petróleo caiu na segunda-feira, com o Brent recuando cerca de 4,5%, para pouco mais de US$ 83 o barril, após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmar que as discussões entre Teerã e Omã sobre a gestão do estreito estão em fase final.
O estreito, um canal vital para o fornecimento de petróleo, gás natural liquefeito e outras mercadorias, como fertilizantes, permanece praticamente fechado. Quase nenhum navio navega por ali, pelo menos não com os transponders ligados. A maioria dos que o fazem segue por uma rota ao norte, próxima à costa do Irã, com permissão iraniana, ou por uma rota ao sul, perto do território omanita.
O que diz o Irã sobre as negociações com Omã
As discussões com Omã dizem respeito a uma rota "temporária" para garantir a segurança dos navios, afirmou na segunda-feira Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã. "Não estamos negociando com os Estados Unidos neste momento."
Há pouca clareza sobre as negociações entre Irã e Omã, e nenhum sinal de que a República Islâmica esteja disposta a permitir a livre passagem de embarcações pelo estreito, como exigido por Trump. Em vez disso, o Irã afirma estar conversando com Omã sobre uma nova rota, não sobre se o estreito como um todo será aberto ou fechado.
Na semana passada, a Bloomberg noticiou que Mascate e Teerã discutiam a reabertura da chamada Passagem do Meio, através do Estreito de Ormuz. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, a passagem foi minada pelo Irã e pode precisar ser desminada antes que embarcações possam utilizá-la regularmente.
A posição de Trump e o cancelamento dos ataques
Trump afirmou no domingo que um acordo para reabrir a hidrovia pode estar próximo e que novas negociações não especificadas com o Irã começariam na segunda-feira. Até agora, não há manifestação do presidente no seu perfil na Truth Social. Ele ressaltou, no entanto, que os EUA seguem "prontos e preparados" para agir contra o Irã.
O presidente, no início da manhã de domingo, horário do Irã, disse que havia cancelado os ataques, que segundo ele "não se viam desde a Segunda Guerra Mundial", após pressão do Irã e de países do Oriente Médio. Mais tarde, afirmou que a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar o haviam instado a dar mais tempo à diplomacia.
Trump sinalizou que não esperaria muito por uma resolução diplomática e instou mediadores e o Irã a "chegarem a um acordo rapidamente". Segundo ele, o acordo deve incluir a "abertura imediata, completa e total" do estreito, bem como "o fim da ameaça nuclear iraniana". Os EUA, disse, permanecem "prontos para o combate".
A pressão dos aliados árabes do Golfo
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, conversou por telefone com Trump no fim de semana. O líder de facto do reino "enfatizou a necessidade de priorizar o diálogo para reduzir a escalada do conflito e a importância de envidar todos os esforços possíveis para alcançar a calma", segundo a principal agência de notícias saudita.
Os estados árabes do Golfo são aliados dos EUA, mas estão cada vez mais exasperados com a continuação da guerra, que já dura seis meses. Eles temem que qualquer escalada leve o Irã a retaliar com o lançamento de mais drones e mísseis, danificando sua infraestrutura e prejudicando suas economias.
O Irã atacou regularmente países como Kuwait e Bahrein nos últimos dois meses, durante escaramuças com os EUA. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar sofreram menos, mas tiveram seus navios atingidos perto do Estreito de Ormuz. A Arábia Saudita também foi atacada por milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e pelos houthis, baseados no Iêmen, nas últimas duas semanas.
O papel de Israel e o alerta para o espaço aéreo
Trump sugeriu que os ataques do fim de semana teriam sido realizados em conjunto com Israel, que não é conhecido por ter atacado o Irã desde o primeiro acordo de cessar-fogo em abril. Embora tenha insinuado que os ataques teriam sido os maiores desde o início da guerra com o Irã no final de fevereiro, Trump disse que "não pretende matar pessoas".
No sábado, as embaixadas americanas em toda a região alertaram os cidadãos americanos para que se preparassem para cancelamentos de voos e fechamento do espaço aéreo. O presidente já havia declarado que intensificaria os bombardeios até que o Irã reabrisse o estreito. Ele ameaçou atingir, eventualmente, a infraestrutura civil e as usinas de energia do país, algo contra o qual Teerã alertou que retaliaria com veemência.
Israel, que iniciou a guerra ao lado dos EUA, mas não participou do acordo de paz inicial entre Washington e Irã em junho, está aguardando o desfecho da mais recente iniciativa diplomática, segundo Zev Elkin, membro do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Existe "algum tipo de caminho para um acordo entre o Irã e Omã", disse ele à rádio do Exército local no domingo.
O impacto nos mercados e o cenário incerto
Investidores repercutem a sinalização de retomada das negociações entre EUA e Irã, enquanto aguardam uma semana carregada de balanços e indicadores econômicos. A queda do Brent reflete o alívio imediato com a suspensão dos ataques, mas a persistência do fechamento do estreito mantém o risco de alta nos preços.
A rota permanece praticamente intransitável, e a exigência de Trump pela abertura total contrasta com a proposta iraniana de uma passagem temporária. A diferença entre as posições sugere que o caminho para um acordo definitivo ainda é longo, mesmo com a mediação de Omã.
Para quem acompanha o setor, a lição é de cautela: o cenário pode mudar rapidamente, e a volatilidade do petróleo tende a continuar enquanto não houver um desfecho claro sobre o controle do estreito. A falta de transparência sobre as negociações e a ausência de um compromisso público do Irã com a abertura total mantêm o mercado em estado de alerta.
Perguntas Frequentes
O que está sendo negociado entre Irã e Omã sobre Ormuz?
As discussões dizem respeito a uma rota "temporária" para garantir a segurança dos navios, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei. O Irã afirma que não está negociando com os Estados Unidos neste momento.
Por que o preço do petróleo caiu?
O Brent recuou cerca de 4,5%, para pouco mais de US$ 83 o barril, após o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmar que as discussões entre Teerã e Omã sobre a gestão do estreito estão em fase final.
O estreito de Ormuz está aberto ou fechado?
O ponto de estrangulamento permanece praticamente fechado. Quase nenhum navio está navegando por ali com os transponders ligados, e a maioria segue por rotas alternativas ao norte ou ao sul.
O que Trump exige para um acordo?
Trump exige a "abertura imediata, completa e total" do estreito, bem como "o fim da ameaça nuclear iraniana". Ele afirmou que os EUA seguem "prontos para o combate".