Houthis atacam Marib novamente; ONU alerta para conflito maior
Houthis atacam Marib novamente; ONU alerta que Iêmen está à beira de conflito maior
Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, lançaram mísseis balísticos e drones contra campos de deslocados e bairros residenciais na cidade de Marib nesta sexta-feira, matando duas pessoas e ferindo outras 14, informou a agência de notícias estatal Saba, citando autoridades locais. O ataque ocorre em meio a uma escalada que, segundo a ONU, coloca o país no maior risco de um novo conflito em grande escala desde 2022.
O que isso significa para você? A escalada no Iêmen não é apenas uma crise humanitária distante. Ela afeta o preço do petróleo, a segurança das rotas de navegação no Mar Vermelho e pode arrastar potências regionais para um confronto mais amplo, com reflexos na economia global.
O ataque em Marib e a resposta dos houthis
Os houthis afirmaram ter atacado, com mísseis e drones, forças apoiadas pela Arábia Saudita, depósitos, veículos e equipamentos militares no acampamento de Sahn al-Jinn, na cidade. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as alegações de nenhum dos lados. O que se sabe é que o saldo do ataque desta sexta-feira foi de duas mortes e 14 feridos, segundo a agência estatal Saba.
O ataque a Marib não é um caso isolado. Um dia antes, pelo menos 30 soldados do governo iemenita foram mortos em ataques a acampamentos militares nas províncias de Marib e Hadramawt, segundo fontes governamentais. Foi uma das escaladas mais mortíferas dos últimos meses.
A escalada regional e o papel da Arábia Saudita
Os houthis também assumiram a responsabilidade pelos ataques de quinta-feira, afirmando que atacaram posições militares sauditas nas duas províncias após detectarem o que descreveram como um grande reforço militar saudita antes de uma escalada contra áreas sob seu controle. O reino do Golfo, que lidera uma coalizão militar que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen desde 2015, tornou-se cada vez mais alvo do conflito regional nas últimas semanas.
Os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho no mês passado, em resposta ao que descreveram como um cerco saudita ao Iêmen, alegação que Riad nega. A guerra, que começou após os houthis tomarem a capital, Sanaa, em 2014, devastou o Iêmen e desencadeou uma das piores crises humanitárias do mundo.
O alerta da ONU: risco de um novo conflito em grande escala
O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, afirmou nesta sexta-feira que os últimos ataques em Marib e Hadramawt, juntamente com novos ataques à navegação comercial no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, colocaram o Iêmen em seu maior risco de um novo conflito em grande escala desde a trégua mediada pela ONU em abril de 2022.
Grundberg instou todas as partes a exercerem a máxima moderação e a participarem das negociações lideradas pela ONU. Ele alertou que a violência corria o risco de arrastar o Iêmen para um confronto regional mais amplo. O tom do alerta é raro e ressalta como o reino do Golfo tem se tornado cada vez mais alvo do conflito regional nas últimas semanas.
O impacto humanitário e econômico
A guerra no Iêmen já é considerada uma das piores crises humanitárias do mundo. Cada novo ataque a áreas civis, como os campos de deslocados e bairros residenciais em Marib, aprofunda o sofrimento de milhões de pessoas que dependem de ajuda internacional para sobreviver. impacto humanitário no Oriente Médio
No plano econômico, a escalada ameaça a segurança da navegação no Mar Vermelho, uma rota vital para o comércio global de petróleo e mercadorias. Novos ataques a navios comerciais podem elevar os custos de frete e pressionar os preços de energia, com efeitos que chegam ao bolso do consumidor brasileiro.
O que esperar da mediação internacional
A ONU segue tentando mediar um acordo entre as partes, mas a desconfiança é grande. Os houthis acusam a Arábia Saudita de cerco e reforço militar; Riad nega e continua apoiando o governo iemenita. Enquanto isso, a população civil paga o preço de uma guerra que já dura quase uma década. mediação da ONU em conflitos
A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, que têm o secretário de Estado Marco Rubio envolvido em decisões relacionadas à ordem executiva do presidente Donald Trump, observa com preocupação o avanço do conflito. A expectativa é que a pressão diplomática aumente para evitar uma nova guerra em grande escala.
Perguntas Frequentes
Quem são os houthis?
Os houthis são um grupo armado do Iêmen, alinhado ao Irã, que tomou a capital, Sanaa, em 2014. Eles controlam grandes áreas do país e têm enfrentado uma coalizão liderada pela Arábia Saudita desde 2015.
Por que Marib é importante?
Marib é uma cidade estratégica no Iêmen, rica em recursos naturais e palco de intensos combates. Ataques a campos de deslocados e bairros residenciais na região agravam a crise humanitária.
O que a ONU pode fazer?
A ONU tenta mediar negociações entre as partes e pede moderação. O enviado especial Hans Grundberg alerta que a violência pode arrastar o Iêmen para um confronto regional mais amplo.
Como isso afeta o Brasil?
A escalada no Iêmen pode pressionar os preços de energia e frete, afetando a economia global. O Brasil, como importador de petróleo e fertilizantes, pode sentir reflexos nos custos internos.
O que é a trégua de 2022?
Foi um acordo mediado pela ONU em abril de 2022 que reduziu os combates por um período. Desde então, o risco de um novo conflito em grande escala aumentou, segundo a ONU.
Este texto foi baseado em informações da agência Reuters, publicadas originalmente pelo InfoMoney.