Economia

Haddad acusa direita de apoiar agressor; Tarcísio rebate no debate

ResumoO debate entre Haddad e Tarcísio no primeiro confronto para o governo de São Paulo expôs divergências sobre o tarifaço dos EUA. Haddad acusou a direita de apoiar o agressor, enquanto Tarcísio rebateu com propostas de apoio a exportadores paulistas. O evento marcou a polarização entre os candidatos.

No primeiro debate entre candidatos ao governo de SP, Haddad acusou a direita de 'apoiar o agressor' no tarifaço dos EUA. Tarcísio rebateu com medidas para exportadores paulistas.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 10 de agosto de 2026
Avó de 82 anos recusa US$ 26 mi por fazenda contra data cent

Haddad acusa direita de "apoiar o agressor" sobre tarifaço; Tarcísio rebate com ações

O tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros colocou Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em confronto direto neste domingo (9), durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado pela Band. Enquanto o petista cobrou reação política conjunta contra as medidas de Donald Trump, Tarcísio concentrou a resposta nas consequências econômicas para as empresas paulistas.

Resposta direta: No debate da Band, Haddad acusou a direita de "apoiar o agressor" ao se aproximar de Trump no tarifaço. Tarcísio rebateu com ações para exportadores, como a antecipação de créditos tributários. As tarifas dos EUA atingem 23,1% das vendas brasileiras, ameaçando US$ 7 bi a US$ 11 bi em exportações.

O que está em jogo no tarifaço americano

O embate ocorre depois de os Estados Unidos adotarem, em julho, novas sobretaxas sobre parte das exportações brasileiras. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas combinadas atingem 23,1% das vendas brasileiras aos EUA. A tarifa de 25% decorrente da investigação comercial americana ameaça entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações, segundo estimativas reunidas pela Reuters.

Os números ilustram o tamanho do desafio para o setor exportador, especialmente em São Paulo, que concentra indústrias com forte dependência do mercado americano.

A acusação de Haddad: "defender o agressor"

Haddad afirmou que a resposta brasileira deveria passar pela atuação diplomática do governo federal e criticou políticos que, segundo ele, se aproximaram do governo Trump durante a escalada das tensões.

"Estamos em uma situação geopolítica complexa. Os EUA, sem nenhuma justificativa, porque são superavitários contra a gente, resolvem atacar o Brasil. O que se espera dos políticos brasileiros é uma união nacional para defender os interesses domésticos. O que se viu foi um grupo defendendo o agressor. O que é inadmissível", afirmou.

Em outro momento, o candidato do PT fez referência à imagem de Tarcísio usando um boné com o slogan MAGA (Make America Great Again, marca política de Trump) e disse ser necessário "colocar o boné certo na cabeça".

Para Haddad, a reação ao tarifaço exige fortalecer a diplomacia brasileira, buscar novos destinos para os produtos afetados e construir uma resposta conjunta entre União e estados.

"É preciso união nacional e senso de responsabilidade", afirmou.

A resposta de Tarcísio: ações para exportadores

Tarcísio reconheceu o impacto das medidas americanas sobre a economia paulista e direcionou sua resposta às ações adotadas pelo governo estadual para reduzir os efeitos sobre as empresas.

"As tarifas prejudicam em especial o Estado de São Paulo", afirmou.

Segundo o governador, uma das medidas adotadas foi acelerar a devolução de créditos tributários aos exportadores, numa tentativa de melhorar a liquidez das empresas atingidas pelas novas barreiras comerciais.

"Procuramos antecipar a devolução do crédito para as empresas exportadoras para amenizar e dar fôlego financeiro para as empresas", disse.

São Paulo está particularmente exposto às medidas americanas por concentrar setores industriais com vendas relevantes para os Estados Unidos. A região de Franca, por exemplo, tem forte dependência do mercado americano para suas exportações de calçados, um dos segmentos atingidos pelas novas tarifas.

O contra-ataque de Haddad: créditos e dívida

Haddad respondeu questionando a situação dos créditos tributários acumulados pelos exportadores paulistas. Segundo o petista, empresas ainda teriam entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em créditos de ICMS aguardando ressarcimento pelo Estado.

O candidato também associou a capacidade de resposta ao tarifaço à decisão do governo paulista sobre a renegociação de sua dívida com a União. São Paulo possui a maior dívida estadual enquadrável no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag): o saldo informado pelo Ministério da Fazenda era de R$ 291,7 bilhões em março de 2025.

"Uma coisa que poderia ter sido feita era a adesão da renegociação da dívida dos estados que foi proposta pelo governo federal. Isso renderia de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões em 2025 para o governo do Estado", afirmou Haddad.

Segundo ele, a folga fiscal poderia ter sido utilizada para acelerar o ressarcimento dos exportadores.

"São Paulo deve de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões de créditos tributários dos exportadores, que aguardam até anos para fazer valer seu crédito. Se tivéssemos uma boa gestão fiscal, que fizesse uma adesão à dívida, hoje estaríamos em uma situação em que as empresas estivessem com caixa e possibilidade de buscar novas praças para seus produtos", disse.

O que muda na prática para o exportador paulista

O debate expõe duas visões opostas sobre como enfrentar o tarifaço. De um lado, a aposta na diplomacia federal e na renegociação da dívida. De outro, a antecipação de créditos como alívio imediato de caixa.

Para quem exporta, a diferença é concreta: enquanto a União negocia novos mercados, o estado decide se devolve créditos mais rápido ou espera a adesão ao Propag.

A região de Franca, com sua dependência do calçado para os EUA, é o exemplo mais visível do impacto local. como o tarifaço afeta as exportações brasileiras

Próximos passos da disputa

O confronto deste domingo deve se repetir nos próximos debates, com o tarifaço como tema central. A pressão sobre Tarcísio tende a crescer se os números de créditos acumulados se confirmarem. Já Haddad pode ser cobrado por resultados concretos da diplomacia federal. renegociação da dívida dos estados

Perguntas Frequentes

O que é o tarifaço dos EUA?

São novas sobretaxas adotadas em julho sobre parte das exportações brasileiras, atingindo 23,1% das vendas aos EUA, segundo o MDIC.

Quanto as tarifas podem custar ao Brasil?

A tarifa de 25% ameaça entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações, conforme estimativas da Reuters.

Qual a dívida de São Paulo com a União?

O saldo informado pelo Ministério da Fazenda era de R$ 291,7 bilhões em março de 2025, a maior entre os estados no Propag.

O que Tarcísio fez para ajudar exportadores?

O governador afirmou que acelerou a devolução de créditos tributários para melhorar a liquidez das empresas.

Quanto Haddad diz que São Paulo deve em créditos?

Entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em créditos de ICMS aguardando ressarcimento, segundo o petista.

Leia também

Publicidade