Guerra pesa sobre economia do Irã com sanções dos EUA
A guerra com os EUA já pesa sobre a economia do Irã, e os próprios líderes iranianos reconhecem o impacto. O líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, instou o governo a enfrentar as dificuldades, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o comércio exterior encolheu em um terço devido às sanções e ao bloqueio norte-americano.
Seis meses após os EUA e Israel terem iniciado a guerra, as negociações seguem em impasse. O governo do presidente Donald Trump intensificou os esforços para punir financeiramente o Irã, com o que chamou de "Dia D econômico". Washington advertiu países a cortarem laços comerciais com o Irã ou enfrentarem sanções secundárias, embora o Departamento do Tesouro tenha evitado penalidades contra principais parceiros, como China e Índia, para não afetar as economias dos EUA e global.
A onda de sanções agrava os efeitos da guerra sobre a economia iraniana, onde a inflação anual atingiu 66% no mês passado. O líder supremo, que não é visto em público desde que ficou ferido no ataque inicial de 28 de fevereiro, que matou seu pai e ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, exortou o governo a enfrentar os desafios: "É preciso abordar seriamente a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, como inflação, desemprego, gestão de preços e o mercado de bens e serviços", afirmou, em declaração por escrito.
O presidente Masoud Pezeshkian disse à mídia estatal que exportações e importações caíram quase 35% devido às sanções e ao bloqueio naval dos portos. Mas ele afirmou que o Irã vendeu cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante a breve vigência de um memorando de entendimento assinado em junho, quando Washington permitiu as vendas. Pezeshkian defendeu a retomada do acordo provisório, assinado em 17 de junho, mas que fracassou por divergências, especialmente sobre o Estreito de Ormuz. "Podemos resolver nossos problemas e recuperar nossos privilégios com o memorando de entendimento", disse, referindo-se ao alívio imediato das sanções e à liberação de ativos congelados.
Teerã não deu sinais de recuo neste sábado, prometendo resistir à pressão, buscar a via diplomática e manter o controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica que dá ao Irã poder de influência sobre os mercados globais de energia. O governo afirmou, em comunicado divulgado pela mídia estatal, que lidar com as pressões econômicas era prioridade central, incluindo conter a inflação, gerenciar mercados, criar empregos, direcionar investimentos à produção nacional e reduzir gradualmente a dependência do dólar.