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Grupos ligados a Trump e Musk injetam milhões nos EUA

A menos de oito semanas da eleição legislativa de meio de mandato nos Estados Unidos, marcada para 3 de novembro, os dois maiores financiadores de candidatos republicanos abriram os cofres. Donald Trump e Elon Musk entraram na reta final da disputa com aportes que, somados, chegam a dezenas de milhões de dólares.

O cenário explica a pressa: os republicanos podem perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso, e pesquisas apontam eleitores democratas mais motivados a votar.

O comitê de ação política "No Going Back", afiliado a Trump, garantiu mais de US$24,9 milhões em tempo de propaganda em seis Estados decisivos: Alasca, Geórgia, Michigan, Carolina do Norte, New Hampshire e Ohio, segundo a AdImpact, empresa de pesquisa de propaganda política. O New York Times informou que o grupo gastou US$49 milhões em reservas de publicidade apenas na terça e na quarta-feira.

Trump disse a repórteres na semana passada que planejava destinar entre US$400 milhões e US$500 milhões para impulsionar candidatos republicanos. Seu índice de aprovação está estagnado no nível mais baixo da carreira política.

Texas concentra a disputa mais cara

O "Musk's America PAC" e a "MAGA Inc.", principal braço de arrecadação de Trump, injetaram nos últimos dias US$2,4 milhões e US$10 milhões, respectivamente, na corrida por uma vaga no Senado no Texas.

No Estado, o procurador-geral Ken Paxton corre o risco de se tornar o primeiro republicano a perder para um democrata em uma eleição estadual em décadas. Cerca de US$6,9 milhões do total vão para anúncios de ataque contra o deputado estadual democrata James Talarico, que aparece 2,1 pontos percentuais à frente de Paxton na média de pesquisas compiladas pelo Silver Bulletin, de Nate Silver.

"Os republicanos agora precisam gastar dinheiro de verdade para defender um mapa eleitoral ampliado", afirmou o estrategista republicano Brad Dayspring, da Purple Strategies. "Quando de repente você precisa investir milhões no Texas, o fato de o presidente Trump e Musk abrirem seus bolsos dá aos republicanos a capacidade de reforçar disputas vulneráveis sem esgotar recursos do restante do mapa."

Por que criar um grupo com nome novo

O No Going Back foi registrado na Comissão Eleitoral Federal em 1º de setembro. O motivo da criação não é público, mas o estrategista republicano Ron Bonjean, sócio da Rokk Solutions, em Washington, aponta uma leitura possível: distanciar Trump e o movimento MAGA das doações de campanha em um momento de desilusão do eleitorado com o presidente.

"É uma estratégia brilhante porque retira o MAGA do nome. Retira qualquer afiliação a Trump do nome", disse Bonjean. "Tem um nome inofensivo com o qual ninguém vai se importar, ao contrário da MAGA Inc., que poderia afastar os eleitores independentes imediatamente."

A estrutura reforça a leitura. MAGA Inc. e No Going Back ainda não são formalmente afiliados, mas compartilham o mesmo tesoureiro, Charles Gantt, o mesmo número de telefone e o mesmo endereço em uma empresa em Massachusetts. Gantt, a MAGA Inc. e o No Going Back não responderam aos pedidos de comentário.

O fundo de campanha de Trump para a eleição de meio de mandato apoia o novo grupo, segundo uma pessoa a par do assunto que pediu para não ser identificada. Não está claro quanto será alocado por esse caminho.

O America PAC, de Musk, espera ter papel central em aumentar a participação eleitoral em Estados-chave, com campanhas de porta a porta, publicidade digital e mala direta. Já gastou mais de US$7 milhões em anúncios digitais, mensagens de texto, ligações para eleitores e material impresso, segundo registros federais. Um porta-voz do grupo se recusou a comentar.

O momento do registro do No Going Back adia a divulgação completa de seus doadores até o final de outubro, conforme as regras da comissão eleitoral.

Na quarta-feira, ao encerrar o primeiro dia da primeira convenção de meio de mandato do Partido Republicano, em Dallas, Trump propôs pagar a cada adulto dos EUA um "dividendo Trump" de US$5.000 caso o partido vença as eleições para o Congresso. Não ficou imediatamente claro como os pagamentos funcionariam ou se seriam legais.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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