Grupo de ransomware rouba dados de Berlim e põe em leilão
O grupo de ransomware Rhysida anunciou nesta sexta-feira (28) que abriu leilão de uma grande quantidade de dados roubados de órgãos públicos de Berlim, na Alemanha. As autoridades municipais da cidade-estado se recusaram a pagar o resgate, segundo informações da Reuters.
O grupo, que segundo pesquisadores opera a partir da Rússia ou da Europa Oriental, informou em seu site que roubou 5,79 terabytes de dados, incluindo 46.500 contratos, além de emails, números de telefone, senhas e informações confidenciais. O leilão dos dados tem preço inicial de 30 bitcoins, com duração de pouco menos de sete dias, exibindo contagem regressiva na página. O bitcoin era negociado a US$ 77.650 nesta sexta-feira.
O ataque ocorre menos de um mês antes das eleições que Berlim realizará em 20 de setembro. O partido anti-imigração AfD (Alternativa para a Alemanha) lidera as pesquisas de opinião, com 42%, contra 22% dos democratas-cristãos conservadores de Merz, de acordo com pesquisa recente.
A emissora RBB informou na noite de quinta-feira que Berlim recebeu pedidos de resgate, mas não divulgou o valor. Em comunicado conjunto, o prefeito Kai Wegner e a senadora do Interior, Iris Spranger, afirmaram: "O estado de Berlim não se submeterá à extorsão". As autoridades não puderam fornecer detalhes sobre o conteúdo ou o escopo dos dados afetados, pois a extensão da violação ainda estava sendo avaliada, disse Wegner a jornalistas.
Spranger afirmou que a infraestrutura eleitoral da cidade não foi afetada e que, segundo autoridades de segurança, nenhum dado relacionado à eleição havia sido comprometido.
O Rhysida assumiu a autoria de quase 280 ataques desde que surgiu em junho de 2023, de acordo com a plataforma de pesquisa sobre crimes cibernéticos eCrime.ch. Aproximadamente metade das vítimas está nos EUA, seguidos pelo Reino Unido, Canadá e Itália, além de outros países, segundo o Ransom-DB, serviço de análise e rastreamento de ransomware.
O grupo tem repetidamente como alvo instituições governamentais, como no ataque de outubro de 2023 à British Library, e também assumiu a autoria de ataques ao Exército chileno, escolas, unidades de saúde e empresas de todos os portes.