Governo de Tarcísio em SP é frouxo e pouco transparente, afirma Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo é 'frouxo e pouco transparente'. A declaração acirra o debate sobre gestão fiscal e transparência no estado.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo é "frouxo e pouco transparente". A declaração foi dada durante evento em São Paulo, na última semana, e acirrou o debate sobre a gestão fiscal e a transparência no estado mais rico do país. Haddad não apresentou dados específicos para embasar a crítica, mas defendeu maior rigor na aplicação de recursos públicos.
A fala do ministro ocorre em meio a um histórico de embates entre os dois políticos, que já disputaram o governo paulista em 2022. Na ocasião, Tarcísio venceu Haddad no segundo turno. Desde então, ambos têm trocado críticas sobre temas como reforma tributária, dívida pública e programas sociais.
Para o economista Rubens Athayde, a declaração de Haddad reflete uma tensão política esperada entre um governo federal petista e um estadual de direita. "A crítica à transparência é o ponto mais sensível, pois envolve dados concretos. Se Haddad não apresentou números, a acusação perde força técnica e ganha contornos políticos", afirma.
O governo de Tarcísio rebateu as declarações. Em nota oficial, a Secretaria da Fazenda e Planejamento de SP afirmou que "o estado mantém todos os dados fiscais disponíveis no Portal da Transparência, com atualização mensal, e cumpre rigorosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal". A nota também destacou que São Paulo possui nota A em capacidade de pagamento (CAPAG) pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Especialistas ouvidos pela reportagem ponderam que a transparência na gestão pública paulista pode ser analisada por diferentes indicadores. O Índice de Transparência dos Estados, elaborado pela Transparência Internacional, coloca São Paulo na 5ª posição entre as 27 unidades da federação, com nota 7,8 de 10 em 2025. O indicador considera critérios como divulgação de receitas, despesas, licitações e contratos.
A crítica fiscal de Haddad
Haddad também questionou a rigidez fiscal do governo Tarcísio. Segundo o ministro, a gestão paulista "não tem coragem de fazer ajustes necessários" e "prefere empurrar problemas com a barriga". A fala foi interpretada como referência ao aumento da dívida pública estadual.
Dados do Banco Central indicam que a dívida consolidada do estado de São Paulo encerrou 2025 em R$ 285 bilhões, equivalente a 25% da Receita Corrente Líquida (RCL). O percentual está dentro do limite de 200% da RCL estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
"A dívida paulista é controlada e dentro dos parâmetros legais. A crítica de Haddad parece mais política do que técnica, pois não há indicador objetivo que aponte risco fiscal iminente", analisa Athayde.
Transparência sob escrutínio
A transparência na gestão Tarcísio tem sido alvo de questionamentos de órgãos de controle. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) apontou, em relatório de 2025, que 12% dos contratos da administração estadual não foram divulgados no prazo legal no Portal da Transparência. O percentual representa melhora em relação a 2024, quando o índice era de 18%.
A Secretaria da Fazenda de SP informou que "todos os contratos estão disponíveis para consulta" e que "eventuais atrasos são corrigidos em até 48 horas".
Reações políticas
A declaração de Haddad gerou reações imediatas. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que "não vai perder tempo com críticas infundadas" e que "os números de São Paulo falam por si". Já aliados do ministro defenderam a fala como "necessária para cobrar transparência e eficiência na gestão pública".
O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP) disse que "a gestão Tarcísio esconde informações e privilegia empresas amigas" transparência em governos estaduais. A oposição no estado prometeu protocolar pedidos de informação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O que dizem os números
Para além das declarações políticas, dados oficiais podem ajudar a avaliar a transparência e a saúde fiscal do estado. O Tesouro Nacional divulga anualmente o Ranking da Qualidade da Informação Fiscal dos estados. Em 2025, São Paulo ficou em 3º lugar, com nota 9,2 de 10. O indicador avalia a completude, consistência e tempestividade das informações fiscais.
Já o Índice de Transparência da Gestão Pública (ITGP), da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), colocou São Paulo na 7ª posição em 2025, com nota 7,5.
Perspectivas
O debate sobre transparência e gestão fiscal em São Paulo deve continuar nos próximos meses, especialmente com a proximidade das eleições de 2026. Haddad, como pré-candidato do PT à Presidência, tende a intensificar críticas a governos estaduais de oposição.
Para Athayde, "o eleitor paulista tende a valorizar mais resultados concretos do que críticas genéricas. Se Haddad não apresentar dados robustos, a declaração pode ter efeito reverso".
Perguntas Frequentes
Haddad apresentou dados para embasar a crítica?
Não. O ministro não citou números ou relatórios específicos para fundamentar a acusação de falta de transparência e frouxidão fiscal.
Qual é a nota de transparência de São Paulo?
Segundo o Índice de Transparência dos Estados (Transparência Internacional), São Paulo tem nota 7,8 de 10, ocupando a 5ª posição nacional.
A dívida de São Paulo é alta?
A dívida consolidada do estado é de R$ 285 bilhões, equivalente a 25% da Receita Corrente Líquida, dentro do limite legal de 200%.
O governo Tarcísio respondeu à crítica?
Sim. A Secretaria da Fazenda e Planejamento de SP afirmou que o estado mantém dados no Portal da Transparência e cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Qual é o contexto político da declaração?
Haddad e Tarcísio se enfrentaram no segundo turno das eleições de 2022 para o governo de SP. A declaração ocorre em meio à pré-campanha presidencial de 2026.