Economia

Google reformula buscas na Europa em maior redução em 29 anos

ResumoGoogle reformula buscas na Europa em resposta ao Digital Markets Act (DMA), reduzindo funcionalidades como mapas, vídeos e notícias para priorizar sites de comparação. A mudança, considerada a maior redução em 29 anos, diminui a qualidade do serviço e gera críticas de usuários e anunciantes. A implementação afeta diretamente a experiência de pesquisa no bloco europeu.

Google implementa mudanças na busca europeia para cumprir DMA, reduzindo qualidade do serviço e favorecendo sites de comparação. Entenda o impacto e as críticas.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 08 de setembro de 2026
Google reformula buscas na Europa em maior redução em 29 anos

O Google, da Alphabet, implementou nesta terça-feira mudanças nos resultados de busca online na Europa para atender às exigências dos órgãos antitruste da União Europeia. A medida, segundo a empresa, prejudicará a experiência dos usuários e aumentará custos para as empresas. Um representante do Google afirmou à Reuters que as mudanças representam a maior redução na qualidade do serviço do mecanismo de busca mais popular do mundo em seus 29 anos de história.

Segundo o Google, a UE apresentou as mudanças como uma forma de nivelar o campo de atuação para as empresas anunciarem. No entanto, a empresa percebe que, na realidade, as mudanças favorecem sites de comparação de preços, também conhecidos como serviços de busca vertical (VSS, na sigla em inglês), ligados a setores como hotéis, companhias aéreas e restaurantes, como a Expedia ou o Booking.com. Esses sites ganham maior destaque nos resultados em relação às empresas desses setores que aparecem listadas apenas com um link para seus sites, números de telefone e endereço.

A gigante tecnológica dos EUA foi multada em 460 milhões de euros em julho por favorecer seus próprios serviços em resultados de compras, hotéis, transporte e esportes nas buscas, violando a Lei dos Mercados Digitais (DMA) da UE. A Comissão Europeia concedeu à empresa 60 dias para cumprir a DMA, sob pena de multas periódicas de até 5% de seu faturamento mundial total.

Os resultados reformulados destacarão um mecanismo de busca especializado no topo da página, seguido por outros dois com menos detalhes, enquanto um carrossel de hotéis, companhias aéreas e restaurantes, por exemplo, ficará abaixo deles, sem recursos-chave como preços em tempo real. As classificações serão determinadas pelo algoritmo do Google.

"Para cumprir os requisitos da DMA, estamos fazendo mudanças significativas na Pesquisa na Europa", disse Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, em comunicado à Reuters. "Essas mudanças prejudicam a experiência do usuário para os europeus, favorecendo intermediários online em detrimento das empresas locais e removendo recursos úteis com os quais as pessoas contam no dia a dia. Usuários fora da UE não serão afetados por essas mudanças", acrescentou.

O Google afirmou que mudanças anteriores para cumprir a DMA levaram a uma queda de 30% no tráfego de reservas diretas e gratuitas para empresas europeias, e espera-se que as últimas mudanças as afetem. A empresa testou as mudanças com milhões de usuários na Europa, o que revelou um alto nível de insatisfação, já que eles precisam redigitar as consultas para encontrar o que desejam.

O Google acumulou multas antitruste da UE no valor total de 10,38 bilhões de euros ao longo de quase duas décadas. As multas geraram críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou iniciar uma investigação sobre o "roubo" que o bloco estaria cometendo contra as empresas norte-americanas.

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