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Flávio nega detalhes de contratos de Dark Horse e diz: 'livro fechado'

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (28) que o caso do patrocínio de R$ 61 milhões para o filme Dark Horse, feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é um "livro fechado". Flávio, porém, se recusou a dar detalhes sobre o contrato firmado com o banqueiro, que está preso por fraudes bilionárias.

"É um livro que está fechado, ressignificado e na prateleira para quem quiser abrir e ter acesso na hora que quiserem", declarou, durante sabatina promovida pela TV Globo.

Na sabatina, Flávio disse que não foi errado buscar financiamento privado para o filme, que homenageia o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador afirmou que Vorcaro não recebeu nenhuma contrapartida pelo patrocínio milionário. "Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado de um filme do próprio pai. Apesar de ser senador, não teve nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para esse investidor", declarou.

Flávio seguiu usando o argumento de que o investimento em Dark Horse era privado e de boa fé por parte de Daniel Vorcaro. Ele citou patrocínios feitos pelo dono do Banco Master para projetos da Rede Globo. "Me sinto na obrigação de prestar todos os esclarecimentos porque sou candidato à Presidência da República. Todo o patrocínio que foi feito no filme foi usado no filme", afirmou. O senador disse ainda que a perícia já concluiu que não haveria dinheiro público em Dark Horse.

Mesmo pressionado, Flávio não deu detalhes sobre o contrato. Ele voltou a atribuir o caso das fraudes bilionárias do Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o senador, ele não firmou nenhum contrato com Vorcaro; sua parte teria sido autorizar o uso da imagem dele com o banqueiro.

Três meses se passaram desde que Flávio disse que apresentaria publicamente um relatório detalhado sobre o financiamento do longa. O filme contou com mais de 90% de seu orçamento bancado por Vorcaro, segundo a produtora. Até o momento, Flávio não deu explicações. "Quem tem que prestar contas não sou eu; é o Lula que tem que prestar contas", declarou na semana passada, após reunião da Fiesp.

O financiamento foi tratado entre o banqueiro e Flávio mesmo depois da prisão do dono do Master, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Em 1º de junho, a Polícia Civil desencadeou a Operação Wi-Fi, que mirou uma licitação da Prefeitura de R$ 108 milhões vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina Ferreira da Gama. Ela e a Prefeitura negam irregularidades. A polícia requisitou à Justiça acesso às análises do Coaf sobre movimentações do ICB, da Go Up e de Karina. Entre as hipóteses, parte dos recursos pode ter ido para a Go Up durante a produção de Dark Horse.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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