Economia

Fiscal é a principal pedra no sapato para o Brasil alcançar o grau de investimento, segundo Moody's

ResumoA Moody's avalia que o fiscal é o principal obstáculo para o Brasil conquistar o grau de investimento. O país, com nota Ba1, necessita de ajuste de 2% a 2,5% do PIB, mas enfrenta polarização política e Orçamento engessado. O analista William Foster detalhou os riscos durante evento.

A Moody's avalia que o fiscal é o principal obstáculo para o Brasil conquistar o grau de investimento. Com nota Ba1, o país precisa de ajuste de 2% a 2,5% do PIB, mas enfrenta polarização política e Orçamento engessado. Analista William Foster detalhou os riscos durante evento In

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 30 de julho de 2026
Fiscal é a principal pedra no sapato para o Brasil alcançar o grau de investimento, segundo Moody's

Fiscal é a principal pedra no sapato para o Brasil alcançar o grau de investimento, segundo a Moody's

A Moody's considera que o fiscal é o principal impeditivo para o Brasil alcançar o grau de investimento. O país tem nota Ba1, um nível abaixo do necessário. Segundo o analista William Foster, o Brasil precisa de um ajuste fiscal de 2% a 2,5% do PIB, o terceiro maior da América Latina, atrás apenas de México e Trindade e Tobago.

Os três pilares que a Moody's analisa para definir a nota soberana

Ao avaliar a nota soberana de um país, a Moody's considera três fatores: força econômica, força governamental e institucional, e força fiscal. No caso do Brasil, os dois primeiros pontos têm desempenho moderado, mas o fiscal trava a melhora.

Força econômica: crescimento consistente

William Foster, analista de risco soberano da Moody's, afirmou durante o evento "Inside LatAm: Brasil 2026" que o Brasil apresenta crescimento do PIB consistente acima de 2%, superior ao de seus pares regionais. Esse é um ponto positivo na avaliação da agência.

Força institucional: piora recente

Na avaliação de Foster, as instituições e a governança no Brasil têm forças moderadas, mas houve uma piora recente nos últimos anos. Ele atribui isso ao relacionamento com a mídia e aos riscos recentes ao funcionamento das instituições.

O gargalo fiscal: Orçamento engessado e polarização

O principal entrave, segundo Foster, está na área fiscal. Ele menciona entre os vetores de risco a polarização entre os atores políticos e a falta de consenso no Congresso Nacional. Isso limita a flexibilidade nos gastos e resulta em um Orçamento engessado.

"O Brasil tem um dos gastos menos flexíveis da América Latina, apenas a Argentina é mais rígida", afirmou Foster.

O tamanho do ajuste necessário

Segundo o analista, o Brasil precisa de um ajuste fiscal de cerca de 2% a 2,5% do PIB. Esse é o terceiro maior ajuste necessário na região, atrás apenas do México e de Trindade e Tobago. Sem mudanças nas despesas, a dívida pública brasileira pode alcançar 90% do PIB até 2030.

Selic elevada e seu impacto na dívida pública

Foster considera que uma maior credibilidade fiscal pode ajudar o Brasil a ter taxas de juros menores. Ele acrescenta que a Selic elevada é um dos principais fatores que pressionam a dívida pública no país, visto que uma parte considerável dela está atrelada à taxa básica de juros.

Os juros reais hoje estão em torno de 9%, um número elevado em relação aos demais países, segundo o analista.

O desafio político pós-eleições

"Após as eleições, o próximo governo vai assumir com um quadro fiscal muito mais complicado, o que deve exigir algumas mudanças, especialmente nos gastos", avalia Foster.

No entanto, a configuração do Congresso Nacional será um "grande desafio" para quem vencer a eleição, visto que será difícil conseguir um consenso em torno de reformas consideradas difíceis. "Esse é um desafio que temos visto no mundo todo", acrescenta.

O que pode elevar a nota soberana do Brasil

Foster afirma que pontos como uma reforma estrutural no fiscal, a desindexação dos pisos de Saúde e Educação, além da revisão do pagamento de aposentadorias e benefícios fiscais são relevantes para uma possível elevação na classificação soberana do Brasil.

Essas medidas, se implementadas, poderiam aumentar a flexibilidade orçamentária e melhorar a percepção de risco da Moody's, abrindo caminho para o tão esperado grau de investimento.

Perguntas Frequentes

Qual é a nota atual do Brasil na Moody's?

O Brasil tem nota Ba1, um nível abaixo do necessário para ter o grau de investimento.

O que a Moody's avalia para definir a nota soberana?

A Moody's analisa três fatores: força econômica, força governamental e institucional, e força fiscal.

Qual é o principal problema fiscal do Brasil segundo a Moody's?

A rigidez orçamentária é o principal problema. O Brasil tem um dos gastos menos flexíveis da América Latina, segundo o analista William Foster.

Qual ajuste fiscal o Brasil precisa fazer?

O país precisa de um ajuste fiscal de cerca de 2% a 2,5% do PIB, o terceiro maior da América Latina.

Como a Selic afeta a dívida pública?

A Selic elevada pressiona a dívida pública porque uma parte considerável dela está atrelada à taxa básica de juros.

O que pode melhorar a nota de crédito do Brasil?

Reforma estrutural no fiscal, desindexação dos pisos de Saúde e Educação, e revisão do pagamento de aposentadorias e benefícios fiscais são medidas relevantes.

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