Fed mantém juros com dissidência recorde; Warsh diz que não tem varinha mágica
O Federal Reserve manteve a taxa de juros em 9 votos a 3, registrando a maior divisão no FOMC desde 2016. Kevin Warsh defendeu o debate interno, disse que o Fed não tem varinha mágica e que não será guiado pelo mercado.
Fed mantém juros com dissidência recorde; Warsh diz que não tem varinha mágica
O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros em 9 votos a 3, registrando a maior divisão no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) desde 2016. Kevin Warsh, presidente do banco central, usou a coletiva de imprensa para defender o debate interno e deixar claro que o Fed não será guiado pelo mercado nem por um único dado de inflação.
O que aconteceu na última reunião do FOMC?
Na segunda decisão de política monetária sob o comando de Kevin Warsh, o Fed segurou os juros, mas as três dissidências dominaram as atenções. Warsh, no entanto, transformou o que poderia ser visto como divisão em demonstração de fortalecimento do processo decisório. "Eu pedi uma boa briga de família e foi exatamente isso que aconteceu", afirmou. Segundo ele, a existência de votos divergentes faz parte do desenho institucional do banco central e melhora a qualidade das decisões.
Dissidência no Fed: sinal de fraqueza ou fortalecimento?
Warsh insistiu que não houve desacordo em relação ao mandato do Fed. "Ouvi um consenso esmagador sobre nossos objetivos, nossa autoridade e nosso compromisso. Não vi ninguém se afastando da responsabilidade de entregar estabilidade de preços", disse. Segundo ele, as divergências estavam concentradas em duas perguntas: qual é a melhor estratégia para levar a inflação de volta à meta de 2% e quando será necessário tomar decisões mais difíceis.
Fed não será guiado pelo mercado, diz Warsh
Desde a última reunião do comitê, os rendimentos dos Treasuries subiram de forma significativa em praticamente toda a curva. Questionado se isso indicaria que o Fed deveria ter elevado os juros, Warsh rejeitou essa leitura. "Os mercados fizeram bastante nos últimos 42 dias, mesmo sem mudanças na taxa básica", afirmou. "Não seremos limitados pelo que os mercados precificam. Também não vamos seguir literalmente o que os mercados estão dizendo".
Segundo o presidente, o movimento recente dos ativos financeiros mostra que os investidores passaram a reagir aos dados econômicos, e não às sinalizações do banco central. "Os participantes do mercado estão aprendendo a jogar olhando para a bola, e não para o árbitro", disse. "Essa é uma mudança para melhor."
Inflação: "não temos varinha mágica"
Outro tema recorrente da coletiva foi a insistência de Warsh de que o banco central não tomará decisões baseado em uma divulgação isolada de inflação. Questionado sobre o quanto o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) de junho pesou para a manutenção dos juros, o presidente respondeu de forma direta: "Muito pouco." "O problema histórico da dependência dos dados é justamente os dados... e a dependência deles", afirmou.
Warsh lembrou que os Estados Unidos acumulam mais de cinco anos de inflação acima da meta e reforçou que um único resultado positivo não altera o diagnóstico do banco central. "Não temos uma varinha mágica", afirmou. "Este FOMC está no cargo há apenas oito semanas e meia. A impaciência das famílias e empresas vem se acumulando há 63 meses."
Mudanças na comunicação do Fed
Boa parte da coletiva também foi dedicada às mudanças que Warsh pretende implementar no funcionamento do Federal Reserve. Uma delas é a redução do uso do forward guidance. Segundo ele, o banco central deixará de antecipar seus próximos movimentos para permitir que os mercados formem avaliações próprias sobre a economia. "Surpreender o mercado não é nosso objetivo", afirmou. "Mas também não queremos alimentar os investidores com orientações antecipadas ou indicar previamente nossas decisões".
Novos grupos de trabalho e indicadores
Warsh também revelou que criou grupos de trabalho para revisar tanto os modelos econômicos quanto as bases de dados utilizadas pelo banco central. Embora o índice oficial da meta continue sendo o PCE, ele afirmou que o Fed pretende ampliar o conjunto de indicadores acompanhados. "Estou olhando para um conjunto mais amplo de dados de inflação do que apenas o PCE", afirmou. "Estamos tentando separar o ruído do sinal."
Segundo ele, esses grupos também discutirão questões estruturais que ganharam importância nos últimos anos, como os efeitos dos choques de oferta, das tarifas comerciais e do forte crescimento dos investimentos em inteligência artificial sobre a dinâmica da inflação e da produtividade.
O que esperar do Fed nos próximos meses?
Warsh deixou claro que o compromisso do Comitê permanece inalterado. "Existe apenas uma meta, e ela é de 2%. Não existe uma meta implícita mais alta. Vamos entregar estabilidade de preços", afirmou. O Fed continuará monitorando as tendências da inflação, e não oscilações mensais, enquanto implementa mudanças na comunicação e nos modelos econômicos.
Perguntas Frequentes
O que significa a dissidência no FOMC?
A dissidência de 3 votos contra 9 representa a maior divisão no FOMC desde 2016. Kevin Warsh defendeu que o debate interno é saudável e faz parte do desenho institucional do Fed.
O Fed vai subir os juros na próxima reunião?
Warsh afirmou que o Fed não será guiado pelo mercado nem por um único dado de inflação. A decisão dependerá das tendências dos dados, não de oscilações mensais.
O que é forward guidance e por que o Fed vai reduzir seu uso?
Forward guidance é a prática de antecipar os próximos movimentos do banco central. Warsh quer reduzir seu uso para que os mercados formem avaliações próprias sobre a economia.
Quanto tempo o Fed está no cargo?
Segundo Warsh, o FOMC atual está no cargo há apenas oito semanas e meia. A impaciência das famílias e empresas vem se acumulando há 63 meses.
Qual é a meta de inflação do Fed?
A meta oficial do Fed é de 2%, medida pelo índice PCE. Warsh afirmou que não existe uma meta implícita mais alta e que o banco central vai entregar estabilidade de preços.