Febre do Nilo: casos em SP e SC podem causar epidemia?
O Brasil tem ao menos quatro casos confirmados, com uma morte, de Febre do Nilo Ocidental, infecção viral transmitida pela picada de mosquitos do gênero Culex, os pernilongos. São Paulo registrou os primeiros casos da história em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Em Santa Catarina, os casos ocorreram em Caçador e Imbituba, este último evoluindo para óbito. Os dois estados reforçam a vigilância epidemiológica.
Apesar da preocupação, o médico infectologista Victor Bertollo Gomes, membro do comitê de arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirma que não há motivo para pânico. "O risco de ter transmissão (a ponto de causar) grandes epidemias é muito baixo", diz. Isso porque não há transmissão sustentada entre humanos: as aves silvestres são os hospedeiros naturais, e os mosquitos se contaminam ao picá-las. Humanos e equinos são hospedeiros acidentais e terminais, encerrando o ciclo.
Gomes explica que surtos da doença costumam ser pontuais, ligados a exposição em zonas silvestres. "Hoje o risco é maior pra quem tem, de fato, exposição às zonas silvestres, com presença de aves silvestres. Mas mesmo nestes casos, é um risco baixo", avalia. Ele lembra que dengue, zika e chikungunya seguem sendo ameaças maiores, com tendência de piora no cenário de super El Niño.
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas ou tem quadro leve, parecido com dengue. A forma grave atinge cerca de uma em cada 150 pessoas, com meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. Não há tratamento antiviral específico; o cuidado é sintomático, com repouso, hidratação e, em casos graves, UTI. Não há vacina contra a Febre do Nilo no Brasil; a prevenção inclui repelente, roupas compridas, telas e evitar água parada e locais sem saneamento. Gomes reforça manter a vacinação contra febre amarela em dia, pois a zona de risco pode se sobrepor.