FDA mantém projeções para soja e milho do Brasil em 2026/2027
FDA mantém projeções para produção de soja e milho do Brasil em 2026/2027
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) manteve as estimativas para a safra 2026/2027 de soja e milho do Brasil, conforme o relatório WASDE divulgado nesta quarta-feira (12). A produção brasileira de soja segue projetada em 186 milhões de toneladas, com exportações de 118 milhões de toneladas, mesmos números de julho. Para o milho, a produção permanece em 134 milhões de toneladas e as exportações em 44 milhões de toneladas.
As projeções estáveis para o Brasil ocorrem em um cenário de ajustes pontuais no mercado global de grãos. O relatório estima produção mundial de grãos grossos (excluindo arroz e trigo) de 1,593 bilhão de toneladas, alta de 1,1 milhão de toneladas ante a estimativa anterior.
O que mudou no relatório WASDE de agosto para grãos
Em linhas gerais, as perspectivas para os grãos estrangeiros na safra 2026/2027 apontam para produção maior, comercialização menor, utilização aumentada e estoques finais maiores em relação ao mês passado.
A produção estrangeira (fora dos EUA) de milho está aumentando, refletindo altas na Rússia, Ucrânia e Zâmbia, parcialmente compensadas por redução na União Europeia. O calor extremo e a seca nas principais áreas produtoras da UE reduzem as perspectivas de rendimento, e a área também está reduzida.
Comércio global de grãos grossos
As principais alterações no comércio global de grãos grossos para 2026/27 incluem exportações de milho mais elevadas para os Estados Unidos, mas reduções para a Ucrânia e a UE. Os estoques finais estrangeiros de milho estão aumentando, refletindo melhoras na Ucrânia, Rússia e Zâmbia, parcialmente compensadas por declínio no Brasil.
Cenário das oleaginosas e da soja
Para as oleaginosas, a previsão de produção estrangeira para 2026/27 foi ligeiramente reduzida. A menor produção de soja e girassol tem sido largamente compensada pelo aumento da produção de canola e caroço de algodão.
As previsões globais de oferta e utilização de soja para 2026/27 incluem aumento da produção, aumento do esmagamento e estoques finais ligeiramente mais elevados. O aumento da produção nos EUA é parcialmente compensado pela menor produção na Ucrânia.
Exportações e esmagamento de soja
As exportações globais de soja permanecem inalteradas, uma vez que as menores exportações da Ucrânia são compensadas por maiores embarques da Argentina. O esmagamento global previsto cresceu para os Estados Unidos e Canadá, mas caiu para a Ucrânia.
Os estoques finais globais de soja aumentam ligeiramente no mês, para 124,2 milhões de toneladas.
Algodão: oferta reduzida e consumo maior
Para o algodão, a oferta mundial para 2026/27 foi reduzida em quase 550.000 fardos, uma vez que a queda nos estoques iniciais excedeu o aumento na produção. A produção global de algodão é projetada em mais de 370.000 fardos acima do mês passado, para 117,6 milhões, com safras maiores no Brasil, Grécia e Turquia mais do que compensando redução nos Estados Unidos.
A projeção para o consumo foi aumentada em quase 1,0 milhão de fardos para 122,9 milhões, com aumentos na China, Índia, Vietnã e Indonésia mais do que compensando reduções em Bangladesh e no Egito.
O comércio foi aumentado em quase 500.000 fardos para 43,8 milhões, com maiores exportações do Brasil e maiores importações pela Índia, Vietnã e Indonésia. Com estas alterações, os estoques finais para 2026/27 foram reduzidos em mais de 1,5 milhão de fardos, para 69,7 milhões, resultando numa relação de estoques/utilização de 56,7%.
Safra 2025/26 de algodão
Para a safra 2025/26, a produção mundial foi aumentada marginalmente, enquanto o consumo cresceu em mais de 900.000 fardos, com base numa maior utilização estimada pelas fiações na China, Índia, Vietnã e Indonésia, com pequenas alterações em outros locais.
A estimativa de exportações cresceu em mais de 720.000 fardos, com base em dados comerciais do Brasil, Grécia, Índia e Turquia, e pequenas alterações para alguns outros países. Os estoques finais foram reduzidos em mais de 900.000 fardos, principalmente devido a reduções na Índia, China e Brasil, levando a relação estoques/utilização para 61,9%.
O que esperar para o agronegócio brasileiro
A manutenção das projeções para soja e milho do Brasil indica estabilidade nas expectativas do USDA para a safra 2026/2027. O cenário global, porém, traz ajustes em outras culturas e regiões, com destaque para os impactos climáticos na União Europeia e as mudanças nos fluxos comerciais de milho e soja.
Para o investidor e o produtor, o relatório WASDE segue como referência para calibrar expectativas de oferta e demanda. A estabilidade nos números brasileiros reduz a volatilidade de curto prazo, mas os desdobramentos climáticos e comerciais nas próximas semanas merecem atenção.
Perguntas Frequentes
O que é o relatório WASDE?
O WASDE (World Agricultural Supply and Demand Estimates) é um relatório mensal do USDA que apresenta projeções para oferta e demanda de grãos, oleaginosas e algodão em escala global. Ele é amplamente acompanhado por analistas e investidores do agronegócio.
As projeções para soja do Brasil mudaram no relatório de agosto?
Não. O USDA manteve a produção de soja do Brasil em 186 milhões de toneladas e as exportações em 118 milhões de toneladas, mesmos números de julho.
O que mudou para o milho do Brasil?
Nada. As estimativas de agosto foram as mesmas de julho, com produção de 134 milhões de toneladas e exportação de 44 milhões de toneladas.
Como ficaram os estoques globais de soja?
Os estoques finais globais de soja aumentaram ligeiramente no mês, para 124,2 milhões de toneladas.
Qual a relação estoques/utilização do algodão em 2026/27?
A relação estoques/utilização ficou em 56,7%, com estoques finais de 69,7 milhões de fardos.