Economia

Ex-presidente é libertado no Peru após condenação anulada

ResumoOllanta Humala, ex-presidente do Peru, foi libertado em 31 de janeiro após a Justiça anular a condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro no caso Odebrecht. A decisão judicial ocorreu em Lima, onde Humala deixou a prisão escoltado por policiais e recebido por simpatizantes. A anulação da sentença revoga a pena imposta anteriormente ao ex-mandatário peruano.

Ollanta Humala, ex-presidente do Peru, foi libertado nesta sexta-feira, 31, após a Justiça anular sua condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro no caso Odebrecht. Ele deixou a prisão em Lima escoltado por policiais e cercado por simpatizantes.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 03 de agosto de 2026
Ex-presidente é libertado no Peru após condenação anulada

Ex-presidente é libertado no Peru após condenação no caso Odebrecht ser anulada

Ollanta Humala, ex-presidente do Peru, foi libertado nesta sexta-feira, 31, de uma prisão em Lima, depois que a Justiça anulou sua condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro ao receber verbas da construtora Odebrecht, segundo constataram jornalistas da agência de notícias AFP.

O que aconteceu com o ex-presidente do Peru

Humala deixou a prisão em um veículo por volta das 19h40 no horário local (21h40 no horário de Brasília), escoltado por policiais e cercado por um grande grupo de simpatizantes. Ele estava detido desde abril de 2025, acusado de ter recebido US$ 3 milhões da construtora brasileira para a campanha presidencial de 2011, na qual saiu vitorioso.

Na quinta-feira, 30, o Tribunal Constitucional divulgou uma decisão que anulou a condenação do ex-presidente. A corte considerou que o financiamento que ele recebeu de terceiros para suas campanhas eleitorais não constituía crime quando Humala, hoje com 64 anos, era candidato à presidência.

O que Humala disse ao sair da prisão

"Fomos vítimas de uma perseguição política e judicial. Fui sequestrado pelo Estado e por capangas do sistema judiciário", disse o ex-presidente aos jornalistas ao sair do recinto prisional. Com a voz embargada, Humala destacou que, devido a essa "perseguição, fui obrigado a pedir asilo para minha esposa e a tirar meus filhos do país".

O papel da Odebrecht no esquema

A Odebrecht, cujo escândalo de subornos e corrupção teve consequências em vários países da América Latina, reconheceu em 2016 que pagou dezenas de milhões de dólares em propinas e doações eleitorais ilegais no Peru desde o início do século XXI.

O Ministério Público acusa Humala de lavagem de ativos por supostamente ocultar que recebeu 3 milhões de dólares da Odebrecht para a campanha de 2011 que o levou à presidência, segundo declarou aos procuradores peruanos o ex-presidente da empresa brasileira, Marcelo Odebrecht.

O caso de Nadine Heredia e as acusações

Nadine Heredia, esposa de Humala, também foi acusada como cofundadora da legenda Partido Nacionalista. Segundo a acusação, na campanha derrotada de 2006, o casal teria desviado quase US$ 200 mil enviados pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por meio de uma empresa deste país. O casal nega ter recebido dinheiro de Chávez ou de qualquer empresa brasileira.

Os quatro ex-presidentes envolvidos

Humala é o segundo de um total de quatro ex-presidentes envolvidos no esquema de corrupção da Odebrecht no Peru. O MP afirma que o escândalo também envolveu Alan García (2006-2011), que tirou a própria vida em 2019 antes de ser detido; Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), ainda sob investigação; e Alejandro Toledo (2001-2006), que foi condenado em 2024 a mais de 20 anos de prisão por receber subornos milionários em troca da concessão de obras em seu governo.

O contexto político atual no Peru

A atual presidente do Peru, a recém-empossada Keiko Fujimori, também foi acusada de lavagem de dinheiro no esquema da Odebrecht quando ainda era deputada, e chegou a ser presa, sendo libertada por falhas na acusação e vencendo a disputa eleitoral de 2026 após três derrotas no segundo turno (para Humala em 2011, para Kuczynski em 2016 e para Pedro Castillo em 2021).

O que essa decisão significa para o cenário político

A anulação da condenação de Humala ocorre em um momento de reconfiguração do poder no Peru. A decisão do Tribunal Constitucional pode reacender o debate sobre os limites da responsabilização penal em casos de financiamento de campanha, tema que atravessa a política latino-americana desde o escândalo da Odebrecht.

Para o investidor e o observador atento, o caso ilustra como decisões judiciais podem alterar o equilíbrio político em economias emergentes. A trajetória de Humala, de presidente eleito em 2011 a réu e agora libertado, mostra que o ciclo político, no fim, sempre vira.

Perguntas Frequentes

Por que Ollanta Humala foi preso?

Humala foi detido em abril de 2025, acusado de lavagem de dinheiro por supostamente ocultar US$ 3 milhões recebidos da Odebrecht para a campanha de 2011.

O que o Tribunal Constitucional decidiu?

Na quinta-feira, 30, o tribunal anulou a condenação de 15 anos, considerando que o financiamento de terceiros não era crime quando Humala era candidato.

Quem mais está envolvido no caso Odebrecht no Peru?

Além de Humala, o escândalo envolveu Alan García, Pedro Pablo Kuczynski e Alejandro Toledo, todos ex-presidentes do Peru.

O que Humala disse após ser libertado?

Ele afirmou ter sido vítima de "perseguição política e judicial" e que foi "sequestrado pelo Estado e por capangas do sistema judiciário".

Keiko Fujimori tem relação com o caso?

A atual presidente foi acusada de lavagem de dinheiro no esquema quando era deputada, mas foi libertada por falhas na acusação.

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