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EUA revogam visto da embaixadora brasileira: entenda

EUA revogam visto da embaixadora brasileira: entenda o que mudou

WASHINGTON, 4 Ago (Reuters) - Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após o Brasil não conceder aprovação diplomática formal ao embaixador indicado pelo governo Trump para Brasília e depois da negativa de vistos a diplomatas norte-americanos. A informação foi confirmada nesta terça-feira por uma autoridade sênior do Departamento de Estado dos EUA.

O que significa ter o visto revogado?

A medida não é uma expulsão. Segundo a autoridade americana, que falou com repórteres sob condição de anonimato, a revogação significa que a diplomata está em Washington, mas sem visto válido. O documento seria restabelecido se o equilíbrio fosse restaurado, ou seja, se o Brasil concedesse o agrément ao candidato indicado por Trump para o cargo de embaixador.

O agrément é o procedimento diplomático de aceitação de um embaixador, geralmente uma formalidade. No entanto, o Brasil vem retendo a aprovação de Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e aliado próximo do secretário de Estado, Marco Rubio, indicado em 1º de junho.

Por que o Brasil está segurando a aprovação?

O governo brasileiro rejeitou a decisão dos EUA em comunicado na noite desta terça-feira, classificando as alegações como "falsas" e argumentando que a análise da candidatura de Perez segue as normas diplomáticas internacionais. Uma delas diz que Washington deveria ter obtido a aprovação do Brasil antes de anunciar a indicação.

Além disso, o Brasil negou vistos no mês passado a dois funcionários do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado. A justificativa: eles "planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional".

O que isso significa para o bolso do brasileiro?

A tensão diplomática já tem efeitos práticos. No mês passado, Washington impôs uma tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais. Lula acusou a família Bolsonaro de ajudar a arquitetar as tarifas para ganhos eleitorais, o que eles negam.

Para quem importa ou exporta, o cenário é de incerteza. Uma relação comercial abalada pode encarecer produtos e afetar contratos. A autoridade americana, no entanto, afirmou que Washington atribui grande importância ao relacionamento com Brasília e respeita o povo brasileiro, independentemente do governo escolhido em eleições livres e justas.

O que vem pela frente?

A autoridade não descartou novas medidas, mas disse que os EUA querem "voltar a ter uma relação normal, produtiva e transparente com nossos colegas". O impasse, porém, não tem prazo para acabar. Pesquisas recentes apontam Lula com vantagem na corrida presidencial sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

A troca de acusações entre os dois países inclui alegações de interferência nos assuntos internos um do outro. Enquanto o governo Trump acusa o governo Lula de censurar conservadores, o Brasil rebate o que considera esforços dos EUA para influenciar a política latino-americana em favor dos conservadores.

Perguntas Frequentes

O visto da embaixadora foi cancelado permanentemente?

Não. A revogação é temporária e será revertida se o Brasil conceder o agrément ao embaixador indicado pelos EUA.

A embaixadora foi expulsa dos EUA?

Não. Ela permanece em Washington, mas sem visto válido.

O que é agrément?

É a aprovação formal que um país dá ao embaixador indicado por outro. Sem isso, o diplomata não pode assumir o cargo.

Como isso afeta o comércio entre os países?

A tensão já resultou em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A continuidade do impasse pode trazer mais incertezas para negócios e consumidores.

Quem é Daniel Perez?

Deputado estadual da Flórida, aliado de Marco Rubio e indicado por Trump para embaixador no Brasil em 1º de junho. A aprovação ainda não foi concedida pelo governo brasileiro.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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