Economia

Vice raramente muda votos, mas redefine campanha

ResumoA escolha do vice-presidente raramente altera a intenção de voto, mas possui capacidade de redefinir a estratégia e o foco de uma campanha eleitoral. Analistas políticos apontam que o impacto principal ocorre na dinâmica interna da disputa, com exceções notáveis como Michelle Bolsonaro, cuja presença influenciou o eleitorado feminino e a comunicação da chapa.

A escolha do vice raramente muda votos, mas pode redefinir o rumo da campanha. Analistas explicam o impacto político e as exceções, como Michelle Bolsonaro.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 09 de agosto de 2026
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Escolha do vice raramente muda votos, mas pode redefinir o rumo da campanha

A definição do candidato a vice movimenta bastidores e partidos, mas seu impacto direto sobre o eleitor é menor do que se imagina. A avaliação é de analistas políticos que participaram do Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Segundo o analista de política da XP, Victor Scalet, estudos da casa mostram que a escolha do vice, na maior parte das eleições brasileiras, produz efeito praticamente nulo nas intenções de voto.

"A gente fez um estudo sobre isso e mostrou que o efeito dos vices, no Brasil, é muito próximo de zero. Em geral, o eleitor escolhe o presidente e não muda seu voto por causa de quem ocupa a vice-presidência", afirmou.

Por que a escolha do vice é mais política do que eleitoral

Scalet explica que as campanhas tratam a escolha do vice como decisão política, não eleitoral. O nome ajuda a construir alianças, ampliar tempo de televisão, acomodar partidos e transmitir sinais ao mercado e aos aliados, mas dificilmente altera sozinho o resultado.

Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, concorda que a influência direta sobre o voto é pequena, mas ressalva que há exceções. Em alguns casos, o vice pode ser um ativo importante para dialogar com segmentos específicos do eleitorado.

"A regra é essa, mas existem exceções. Dependendo do nome escolhido, principalmente quando ele conversa com um público que o cabeça de chapa tem dificuldade de alcançar, esse efeito pode aparecer", afirmou.

Exceções à regra: quando o vice pode impactar

Meirelles citou Michelle Bolsonaro como exemplo de figura que poderia produzir algum impacto por reunir atributos diferentes dos de Flávio Bolsonaro, caso tivesse sido escolhida como vice na chapa à disputa presidencial. Além de forte identificação com o eleitorado evangélico, ela apresenta desempenho melhor entre mulheres, segmento em que o senador enfrenta maior resistência.

Mesmo assim, Meirelles pondera que esse eventual ganho não mudaria, por si só, a dinâmica da eleição.

"O vice ajuda mais a reforçar uma narrativa do que a transferir votos. Ele pode facilitar o diálogo com determinados grupos, mas não substitui o trabalho da campanha nem resolve os problemas do candidato", disse.

O que a escolha do vice sinaliza para o mercado e partidos

Para os analistas, o debate sobre os vices ganha mais espaço entre partidos, dirigentes e o mercado político do que entre eleitores. A definição da chapa sinaliza alianças, prioridades e estratégias, mas continua tendo peso reduzido na decisão da maioria dos votantes.

Na prática, concluem os especialistas, o eleitor tende a avaliar primeiro quem ocupará a Presidência. O nome do vice pode reforçar a mensagem da campanha, ampliar a capacidade de diálogo com determinados públicos e fortalecer a coalizão política, mas dificilmente será o fator decisivo para levar um candidato ao Palácio do Planalto.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

Perguntas Frequentes

A escolha do vice pode mudar o resultado de uma eleição?

Na maioria dos casos, não. Estudos mostram que o efeito dos vices nas intenções de voto é próximo de zero no Brasil, segundo analistas.

Quando o vice pode ter impacto eleitoral?

Em exceções, quando o nome conversa com um público que o cabeça de chapa tem dificuldade de alcançar, como mulheres ou evangélicos, por exemplo.

Por que as campanhas dão tanta importância à escolha do vice?

Porque a decisão é política: ajuda a construir alianças, ampliar tempo de TV e transmitir sinais ao mercado e aos aliados.

O vice pode substituir o trabalho da campanha?

Não. Segundo os analistas, o vice ajuda a reforçar uma narrativa, mas não substitui o trabalho da campanha nem resolve os problemas do candidato.

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