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Energisa reverte lucro e registra prejuízo de R$ 40 mi no 2º tri

Energisa reverte lucro e registra prejuízo líquido consolidado de R$ 40 mi no 2º tri

No segundo trimestre de 2026, o grupo Energisa (ENGI11) registrou um prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões. Este resultado representa uma reviravolta significativa em relação ao lucro consolidado de R$ 490 milhões obtido no mesmo intervalo do ano anterior. O desempenho da empresa foi influenciado por eventos extraordinários, incluindo a venda de cinco transmissoras para a Taesa, que resultou na reclassificação contábil dos ativos.

O lucro líquido ajustado recorrente da Energisa foi de R$ 88 milhões, marcando uma queda de 80% em comparação ao mesmo período do ano passado, pressionado pelo aumento das despesas financeiras líquidas. Essa mudança no cenário financeiro pode ter implicações diretas para os consumidores que dependem dos serviços da empresa.

Impactos da venda de ativos

A venda das transmissoras, anunciada em maio por R$ 2,293 bilhões e ainda sujeita a aprovações finais, gerou um impacto contábil negativo de R$ 596 milhões no resultado financeiro, embora não tenha afetado diretamente o caixa da empresa. Os ativos foram reclassificados no balanço como "mantidos para venda", ocasionando um efeito adverso, conforme as normas IFRS que regem o setor de transmissão de energia elétrica.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Energisa, Mauricio Botelho, comentou sobre a situação: "Quando você vende um ativo logo depois que ficou pronto, que é o nosso caso, você tende a gerar um prejuízo contábil, apesar de ter sido uma ótima transação, de cerca de 10 vezes o Ebitda e 8,3 vezes a Receita Anual Permitida." Ele espera que a transação seja concluída ainda este mês.

Acordo com o governo de Rondônia

Outro fator que impactou os resultados da Energisa no segundo trimestre foi um acordo celebrado entre a distribuidora Energisa Rondônia (ERO) e o governo do Estado de Rondônia. Este acordo viabilizou a regularização de passivos que datavam de mais de 20 anos e permitiu a quitação da dívida da Companhia de Águas do estado, que representava 60% do saldo do contencioso judicial do grupo.

Esse acordo trouxe um efeito positivo considerável, refletindo um impacto de R$ 489 milhões no Ebitda da companhia e R$ 94 milhões no lucro líquido.

Resultados financeiros ajustados

No consolidado, o Ebitda ajustado recorrente da Energisa atingiu R$ 1,95 bilhão, um aumento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Quando ajustado pela equivalência patrimonial da holding de distribuição de gás Norgás, o Ebitda recorrente alcançou R$ 1,99 bilhão, apresentando uma alta de 1,4% na comparação anual.

O crescimento do negócio de distribuição de gás natural foi um destaque no período, com um Ebitda ajustado de R$ 96 milhões. A holding Norgás, que detém participações em quatro distribuidoras de gás no Nordeste, reportou um crescimento de 35% em seu Ebitda, totalizando R$ 117 milhões. Na ES Gás, o aumento foi ainda mais expressivo, quase 90%, atingindo R$ 65 milhões. Botelho destacou que "o setor de gás está em um momento positivo, está indo muito bem", e mencionou investimentos de R$ 69 milhões na expansão da infraestrutura de distribuição.

Desempenho no setor elétrico

O segmento de distribuição de energia elétrica também apresentou um desempenho positivo, com um aumento de 5% na receita líquida ajustada, totalizando R$ 6,5 bilhões. Esse crescimento reflete um aumento de 4% no volume de energia consumido nas nove distribuidoras do grupo.

Botelho ressaltou que a Energisa intensificou os investimentos em ampliação, modernização e digitalização da rede, além de antecipar manutenções corretivas e preventivas em ativos críticos. Essa estratégia é especialmente importante considerando o potencial aumento da severidade de eventos climáticos associados ao fenômeno El Niño.

Expectativas para o futuro

A receita líquida da Energisa entre abril e junho foi de R$ 807,9 milhões, praticamente estável em comparação ao ano anterior, com uma leve alta de 0,2%. Botelho admitiu que o fenômeno El Niño pode ter um impacto positivo, com um possível aumento do consumo na área de concessão devido à elevação das temperaturas. Ele destacou que em 2023, o mercado cresceu 9,5%, especialmente nos segmentos residencial e comercial.

Entre abril e julho, a receita líquida ajustada da Energisa totalizou R$ 7,250 bilhões, representando um aumento de 4% em relação ao ano anterior.

Os itens extraordinários registrados no segundo trimestre também contribuíram para a melhora da estrutura de capital da Energisa. A alavancagem da companhia caiu para 3,1 vezes dívida líquida/Ebitda, em comparação a 3,5 vezes no fim do primeiro trimestre. O acordo com o estado de Rondônia não apenas gerou um efeito positivo no Ebitda, mas também resultou em R$ 414 milhões de acréscimos moratórios, com expectativa de que cerca de R$ 300 milhões entrem no caixa nos próximos 90 dias devido ao levantamento de depósitos vinculados ao processo.

Além disso, a redução da alavancagem foi influenciada pela conclusão da venda das ações preferenciais da Denerge, avaliada em R$ 1,4 bilhão, que detém participações em várias companhias do setor.

Ao final de junho, a posição de caixa totalizava R$ 13 bilhões, quantia suficiente para cobrir os vencimentos da dívida nos próximos três anos, conforme informado pela companhia.

Esses resultados e projeções podem impactar diretamente os consumidores de energia, refletindo-se em tarifas e serviços oferecidos pela Energisa. Com um cenário em constante mudança, é essencial que os usuários estejam atentos às movimentações da empresa e suas possíveis consequências em suas contas de energia.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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