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Energisa (ENGI11) tem prejuízo de R$ 40 mi no 2º tri

Energisa (ENGI11) reverte lucro e tem prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões no 2º trimestre

A Energisa (ENGI11) registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo o lucro de R$ 490 milhões apurado em igual intervalo de 2025. O desempenho foi influenciado por eventos extraordinários, como o anúncio da venda, para a Taesa, de cinco transmissoras, com a consequente reclassificação contábil dos ativos.

Quem acompanha a tese de investimento da companhia precisa separar o que é contábil do que é caixa. O prejuízo veio de um efeito sem saída de dinheiro, enquanto a operação de venda, de R$ 2,293 bilhões, deve ser concluída neste mês, segundo o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Energisa, Mauricio Botelho.

O que explica o prejuízo de R$ 40 milhões da Energisa?

O resultado negativo do trimestre tem relação direta com a venda das transmissoras para a Taesa. A operação, anunciada em maio e ainda sujeita a últimas aprovações, gerou um impacto contábil negativo, sem efeito caixa, de R$ 596 milhões no resultado financeiro.

Os ativos foram reclassificados no balanço como "mantidos para venda". Como estão em início de contrato, geram um efeito negativo, tendo em vista as regras de IFRS para o setor de transmissão de energia elétrica.

"Quando você vende um ativo logo depois que ficou pronto, que é o nosso caso, você tende a gerar um prejuízo contábil, apesar de ter sido uma ótima transação, de cerca de 10 vezes o Ebitda e 8,3 vezes a Receita Anual Permitida", disse Botelho à Broadcast. Ele espera o fechamento definitivo da transação para este mês.

Lucro ajustado recorrente cai 80%

O lucro líquido ajustado recorrente ficou em R$ 88 milhões, queda de 80% na mesma base de comparação. A pressão veio do aumento das despesas financeiras líquidas.

Vale notar: o número recorrente exclui os efeitos extraordinários, mas ainda assim mostra um trimestre mais fraco na geração de resultado para o acionista.

Acordo com Rondônia: impacto positivo de R$ 489 mi no Ebitda

No mesmo período, a Energisa registrou os efeitos de um acordo celebrado entre a distribuidora Energisa Rondônia (ERO) e o governo do Estado de Rondônia. O acordo viabilizou a regularização de passivos com mais de 20 anos e a quitação da dívida da Companhia de Águas do estado, que representava 60% no saldo do contencioso judicial do grupo.

O impacto positivo foi de R$ 489 milhões no Ebitda da companhia e de R$ 94 milhões no lucro líquido.

Ebitda recorrente: R$ 1,95 bi, alta de 1%

No consolidado, o Ebitda ajustado recorrente da Energisa chegou a R$ 1,95 bilhão, 1% acima do reportado no segundo trimestre do ano passado. Quando ajustado pela equivalência patrimonial da holding de distribuição de gás Norgás, o Ebitda recorrente alcançou R$ 1,99 bilhão, alta de 1,4% na comparação anual.

O destaque do trimestre foi o crescimento do negócio de distribuição de gás natural, que registrou Ebitda ajustado de R$ 96 milhões, incluindo a contribuição da Norgás.

A holding, que detém participações em quatro distribuidoras de gás no Nordeste e na qual a Energisa é acionista, apresentou crescimento de 35% no Ebitda, para R$ 117 milhões. Na ES Gás, o aumento do Ebitda foi de quase 90%, para R$ 65 milhões.

"O setor de gás está em um momento positivo, está indo muito bem", disse Botelho, citando também o investimento de R$ 69 milhões na expansão da infraestrutura de distribuição, com foco na ampliação da rede e na conexão de novos clientes.

Distribuição de energia: receita sobe 5%

O segmento de distribuição de energia elétrica registrou aumento de 5% na receita líquida ajustada, para R$ 6,5 bilhões. O crescimento reflete a alta de 4% no volume de energia consumido nas nove distribuidoras do grupo.

Botelho destacou que a companhia intensificou no trimestre investimentos em ampliação, modernização e digitalização da rede, além da antecipação de manutenções corretivas e preventivas em ativos críticos, considerando o possível aumento da severidade dos eventos associados ao El Niño.

Ele admitiu que o fenômeno pode ter impacto positivo à frente, com o possível aumento do consumo na área de concessão, devido à elevação das temperaturas. "Em 2023 nosso mercado cresceu 9,5%, o consumo aumentou bastante especialmente nos segmentos residencial e comercial", disse.

Entre abril e julho, a receita líquida ajustada da Energisa totalizou R$ 7,250 bilhões, alta de 4% em relação a um ano antes.

Alavancagem cai para 3,1 vezes

Os itens extraordinários anotados no segundo trimestre também ajudaram na melhora da estrutura de capital da Energisa. A alavancagem da companhia caiu a 3,1 vezes dívida líquida/Ebitda, ante as 3,5 vezes anotada no fim do primeiro trimestre.

Somente o acordo com o estado de Rondônia resultou, além do efeito positivo no Ebitda, R$ 414 milhões de acréscimos moratórios. A empresa informou que cerca de R$ 300 milhões devem entrar no caixa nos próximos 90 dias, devido ao levantamento de depósitos vinculados ao processo.

A redução da alavancagem também foi influenciada pela conclusão da venda das ações preferenciais da Denerge, no valor de R$ 1,4 bilhão. A Denerge detém, de forma direta e indireta, participações em companhias como Rede Energia, Energisa Mato Grosso do Sul, Energisa Sul-Sudeste e Energisa Mato Grosso.

Caixa de R$ 13 bi cobre dívida dos próximos 3 anos

Ao fim de junho, a posição de caixa totalizava R$ 13 bilhões, montante suficiente para cobrir os vencimentos da dívida nos próximos três anos, informou a companhia.

Para o investidor, o cenário combina um trimestre contábil negativo com uma estrutura de capital mais folgada. A conclusão da venda das transmissoras e os efeitos do acordo com Rondônia devem seguir moldando o balanço nos próximos meses. como analisar o Ebitda de uma empresa o que é alavancagem financeira

Perguntas Frequentes

A Energisa teve prejuízo no 2º trimestre?

Sim, a Energisa registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões no segundo trimestre, revertendo o lucro de R$ 490 milhões de um ano antes.

Por que a Energisa teve prejuízo?

O prejuízo veio de eventos extraordinários, principalmente o impacto contábil negativo de R$ 596 milhões, sem efeito caixa, relacionado à venda de cinco transmissoras para a Taesa.

A venda das transmissoras para a Taesa foi concluída?

A operação, de R$ 2,293 bilhões, foi anunciada em maio e ainda está sujeita a últimas aprovações. O diretor da Energisa espera o fechamento definitivo para este mês.

O que é o lucro líquido ajustado recorrente?

É o resultado que exclui efeitos extraordinários, como a venda de ativos e acordos judiciais. No trimestre, ficou em R$ 88 milhões, queda de 80% na mesma base de comparação.

Como ficou a alavancagem da Energisa?

A alavancagem caiu para 3,1 vezes dívida líquida/Ebitda, ante 3,5 vezes no fim do primeiro trimestre, ajudada pelos eventos extraordinários e pela venda das ações da Denerge.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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