Economia

Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão

ResumoO Festival Pacto das Pretas, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), debate o papel da mulher negra em postos de decisão. O evento ocorre em três capitais brasileiras e reúne lideranças para discutir empregabilidade, empreendedorismo e governança corporativa, visando ampliar a representatividade feminina preta em espaços de poder.

O Festival Pacto das Pretas, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), discute o papel da mulher negra em postos de decisão. O evento ocorre em três capitais e reúne lideranças para debater empregabilidade, empreendedorismo e governança corporativa.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 22 de julho de 2026
Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão

Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão

O Festival Pacto das Pretas, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), realizou nesta segunda-feira (21), no Museu de Arte do Rio (MAR), o segundo dia de sua quinta edição em 2026. O encontro reúne cerca de 1,5 mil líderes ao longo de três dias para debater temas como governança corporativa e diversidade, a partir do conceito "Movimento: Mulheres Negras Criando". O primeiro dia ocorreu na última sexta-feira (17), em Salvador, e o terceiro será em São Paulo, na próxima sexta (24).

O PER é uma plataforma nacional de impacto socioeconômico, liderada pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial, com apoio de empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc e Natura. O pacto implementa um Protocolo ESG Racial para o país e tem 85 empresas como signatárias.

Como a mulher negra pode ocupar postos de decisão

A presidente do Conselho Deliberativo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, a historiadora Wânia Sant'Anna, ressalta a importância do debate sobre a consolidação do papel das mulheres negras como tomadoras de decisões estratégicas na economia e na tecnologia. "O festival tem esse objetivo de trazer, em um evento desenhado para isso, a visão, a opinião e a prática de mulheres negras que têm atuado no terreno do trabalho. Não é um evento de saúde e de educação. É um evento em que a grande pauta é empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento para estar nesses lugares", apontou, em entrevista à Agência Brasil. "Isso sem descartar, de maneira nenhuma, os processos discriminatórios que as empresas têm, de não lhes dar oportunidades ou minimizar as suas entregas. É disso que estamos falando aqui", completou.

O impacto da liderança feminina negra no mercado

A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, que participou do encontro, afirmou à Agência Brasil que, quando uma mulher negra lidera, dificilmente caminha sozinha. "Ela abre caminhos, compartilha oportunidades e inspira outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar espaços de poder e decisão. Incentivar essa liderança é investir em um futuro mais justo, mais próspero e mais representativo para toda a sociedade".

Um dos destaques desta edição é a Plataforma Black Hub, lançada no dia 17 de junho, em São Paulo. Considerada "um ecossistema digital direcionado à educação antirracista, cultura e aceleração profissional", o projeto foi viabilizado pela Lei Rouanet e ancorado pelo investimento de marcas como Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm.

Ferramentas práticas para equidade racial nas empresas

Na Plataforma Black Hub, é possível interagir com projetos como a Cartilha ESG Racial, desenvolvida em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), no fortalecimento da filantropia e do investimento social no Brasil. "A publicação traz diretrizes de aplicação prática e indicadores para orientar o setor corporativo a incorporar a pauta antirracista de forma estratégica e integrada às suas práticas de gestão, governança e impacto social", indicou a organização do evento.

Outro guia é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wania Sant'Anna e desenvolvida em parceria com o escritório Daniel Law, signatário do Pacto de Promoção da Equidade Racial. "Reúne recomendações, diretrizes, referências legais e orientações práticas para apoiar empresas na prevenção, sensibilização e construção de uma cultura corporativa de proteção às mulheres", descrevem os organizadores.

Nas artes, o livro "Vozes que Ocupam" reúne 16 crônicas inéditas assinadas por algumas das mais importantes lideranças negras da cultura, comunicação e educação, como Djamila Ribeiro, Rodrigo França, Érica Januza, Diogo Almeida, Dom Filó, Pedro Rajão e Isabel Fillardis.

Conexão entre afeto e estratégia nos negócios

Wania Sant'Anna destacou o fato de o encontro ocorrer no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho. "Nada melhor que falar sobre isso na semana do 25 de julho".

Luna Vitrolira disse que o principal recado que levou para esta edição foi o de que nenhuma transformação acontece sozinha. "Eu venho do Nordeste, de Pernambuco, de uma tradição em que a palavra é encontro, é memória e também é ferramenta de mudança. Aprendi que a voz tem o poder de reunir pessoas, criar pontes e abrir caminhos", contou. A escritora e comunicadora revelou que, como poeta e cerimonialista, procurou conduzir o encontro lembrando que estratégia, arte e sensibilidade não são opostas. "Podemos falar de negócios, liderança, inovação e desenvolvimento sem perder de vista o afeto, a poesia, a escuta", relatou. "O futuro que queremos construir precisa reconhecer a potência das mulheres negras não como exceção, mas como parte essencial do presente. Quando uma mulher negra ocupa o centro da narrativa, toda a sociedade amplia seu horizonte de possibilidades", destacou na mensagem que deixou no encontro.

As reações do público, segundo a escritora, mostraram que existe uma demanda muito grande por espaços como este. "As mulheres estavam ali para falar e ouvir, compartilhando experiências, criando conexões e se reconhecendo nas histórias umas das outras. Acho que o Pacto das Pretas nos lembra que desenvolvimento não é apenas crescimento econômico. É também acesso à informação, fortalecimento de redes, ampliação de direitos e confiança para ocupar espaços de decisão".

Programa Pacto Transforma: acelerando carreiras para o topo

Outro efeito do festival é servir como polo de atração de talentos para o topo do mercado corporativo, com a imersão presencial das 30 executivas selecionadas pelo Programa Pacto Transforma. Essa é uma iniciativa em nível nacional que identifica profissionais seniores de diversas regiões do Brasil "para acelerar suas competências de alta governança, preparando-as estrategicamente para assentos de conselho e cargos de C-Level". "A presença desse grupo sela o festival como o principal hub de networking qualificado e atração de talentos para posições de liderança no país, conectando diretamente esse pipeline executivo de elite aos diretores de sustentabilidade e CEOs das organizações parceiras", observou a organização.

Perguntas Frequentes

O que é o Festival Pacto das Pretas?

É um evento promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) que reúne cerca de 1,5 mil líderes para debater o papel da mulher negra em postos de decisão, com foco em empregabilidade, empreendedorismo e governança corporativa.

Quando e onde ocorre o evento em 2026?

O festival ocorre em três capitais: Salvador (17 de julho), Rio de Janeiro (21 de julho, no MAR) e São Paulo (24 de julho).

Quem são os apoiadores do evento?

Empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc e Natura apoiam a iniciativa, que tem 85 signatárias do Protocolo ESG Racial.

O que é a Plataforma Black Hub?

É um ecossistema digital direcionado à educação antirracista, cultura e aceleração profissional, lançado em 17 de junho em São Paulo, viabilizado pela Lei Rouanet e apoiado por Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm.

O que é o Programa Pacto Transforma?

É uma iniciativa nacional que seleciona 30 executivas seniores para acelerar competências de alta governança, preparando-as para cargos de conselho e C-Level, com imersão presencial durante o festival.

Como funciona o Protocolo ESG Racial Cartilha de Enfrentamento à Violência para empresas Dicas de carreira para mulheres negras no mercado corporativo

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