Economia

Empresários e juristas: reforma do Judiciário em meio à crise no STF

ResumoEmpresários e juristas brasileiros planejam encontro online na quarta-feira (9) para debater reforma do Judiciário, em resposta à escalada da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião busca articular propostas de mudanças estruturais no sistema judicial. O contexto envolve tensões recentes entre poderes e questionamentos sobre decisões da corte suprema.

Empresários devem se reunir com juristas para debater reforma do Judiciário, em meio à escalada da crise no STF. Encontro online está previsto para quarta-feira (9).

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 08 de setembro de 2026
Empresários e juristas: reforma do Judiciário em meio à crise no STF

Um grupo de empresários deve se reunir com juristas para discutir uma reforma do Judiciário brasileiro, em meio à escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas semanas. O convite circula em grupos de WhatsApp. O encontro será online e está previsto para quarta-feira (9), conforme publicou o jornal Valor Econômico e confirmou o Estadão.

Nomes como Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Patrícia Vanzolini e Oscar Vilhena Vieira foram convidados para discutir a crise do Judiciário e apresentar propostas para uma reforma. Entre os empresários, são esperadas as participações de Pedro Passos, fundador da Natura, Josué Gomes da Silva, dono da Coteminas e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Jackson Schneider, que atua no conselho de grandes empresas.

"Nosso propósito é reunir, em uma conversa reservada e construtiva, importantes lideranças da sociedade civil para conhecer e debater as propostas apresentadas por esse grupo, contribuindo para uma reflexão séria sobre o fortalecimento das instituições brasileiras", diz o convite para o evento. "Por sua posição de liderança na sociedade civil, consideramos sua participação especialmente importante e teremos grande satisfação em contar com sua presença", acrescenta o convite.

A reunião de quarta-feira é mais um movimento empresarial que surge na esteira da crise no STF. Na semana passada, empresários e economistas se articularam para criar um manifesto que pede a apuração dos fatos recentes envolvendo ministros do Supremo. O movimento também tem sido articulado em grupos de WhatsApp que reúnem líderes de empresas, bancos e economistas.

Não é a primeira vez que esse tipo de movimento é realizado. Em dezembro, foi lançado o manifesto "Ninguém acima da Lei", articulado pela sociedade civil e que, hoje, conta com mais de 78 mil assinaturas. O documento cobrava diretamente de Fachin a adoção de um código de conduta rigoroso e maior transparência nos limites institucionais e éticos da Corte, após as primeiras revelações sobre a proximidade entre vários ministros do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Com as revelações da semana passada, que incluem dezenas de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, bem como a revisão do contrato que previa pagamento de R$ 130 milhões à advogada e mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, o movimento voltou a ganhar força.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, também cobrou nesta segunda-feira respostas "rápidas e claras" do STF. "Precisamos de respostas rápidas e claras do Supremo Tribunal Federal, não para enfraquecê-lo, mas justamente para preservá-lo, porque a confiança nas instituições é indispensável à estabilidade social e democrática do país", afirmou em vídeo publicado neste 7 de Setembro. Simonetti defendeu que instituições fortes dependem da confiança da sociedade e que, quando ela é abalada, deve ser restabelecida. "Nenhuma instituição pode abrir mão da admiração e da confiança da sociedade", disse.

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