Eleições 2026: política pública que o agronegócio precisa
Estamos em ano de eleições gerais no Brasil, e as disputas pelos cargos majoritários esquentaram em agosto. Diante disso, surge a pergunta: quais políticas públicas realmente importam para o agronegócio? A resposta passa por uma distinção essencial entre políticas de Estado, feitas para durar anos e atravessar governos, e políticas de governo, limitadas a um mandato ou programa político.
O agronegócio brasileiro, por sua importância estratégica, deveria ser amparado por políticas de Estado, e não por medidas efêmeras. O setor responde por cerca de um quarto da economia brasileira e é peça-chave na inserção do país nas cadeias globais. As operações financeiras e comerciais do campo movimentam cerca de R$ 1,4 trilhão por ano. Essa relevância tem impacto direto na vida de todos os cidadãos: alimentos, energia limpa, fibras sustentáveis e preservação ambiental dependem de um setor previsível.
Nos últimos 50 anos, o agro brasileiro foi sustentado por políticas públicas robustas. Do Estatuto da Terra, na década de 1960, à criação da Embrapa, nos anos 1970, passando pela Cédula de Produto Rural (CPR), em 1994, e pelo Fiagro e a CPR Verde, ambos de 2021, o setor contou com marcos regulatórios coordenados pela Lei de Política Agrícola, de 1991. Foi assim que o país deixou de importar alimentos para se tornar um dos maiores produtores mundiais.
Apesar disso, o momento atual é de desafios. Cresceram os pedidos de recuperação judicial e as renegociações forçadas de dívidas no campo, em meio a problemas climáticos, preços baixos das commodities e custos elevados de insumos. Alguns negócios só devem recuperar margens daqui a duas ou três safras. A conjuntura global também mudou: barreiras tarifárias, desglobalização e a ascensão de temas como inteligência artificial e tecnologia espacial, exemplificada pelo IPO da SpaceX, pressionam o modelo atual.
Diante disso, o tempo é agora. As eleições estão aí, enquanto a fome e as catástrofes climáticas continuam à espreita. O setor precisa de novas ferramentas e políticas públicas que se somem às estruturas existentes, garantindo renda e continuidade dos negócios no campo. O empreendedorismo dos homens e das mulheres do campo fará o restante, como tem feito nas últimas décadas.