Economia

Eleição será 50% construção e 50% destruição, prevê marqueteiro

ResumoLuiz Flávio Lula Guimarães, marqueteiro político, prevê eleição presidencial dividida entre 50% de construção de imagem dos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro e 50% de destruição do adversário. A estratégia impacta diretamente o eleitor independente, que decide voto com base na percepção de propostas e na rejeição ao oponente.

Para Luiz Flávio Lula Guimarães, a campanha presidencial deve dividir o tempo entre apresentar Lula e Flávio Bolsonaro e desconstruir o adversário. Entenda o impacto no eleitor independente.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 07 de setembro de 2026
Eleição será 50% construção e 50% destruição, prevê marqueteiro

A disputa presidencial deve equilibrar a apresentação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com a tentativa de desconstruir a imagem do adversário. Para o jornalista e especialista em marketing político Luiz Flávio Lula Guimarães, a proporção pode chegar a 50% para cada estratégia. "É bem provável que a campanha seja de construção em 50% do tempo e de desconstrução nos outros 50% do tempo", afirmou em edição especial do Mapa de Risco e do Stock Pickers, ambos do InfoMoney.

Com mais de 20 anos de experiência, Guimarães trabalhou nas campanhas de Eduardo Campos e Marina Silva (2014), Geraldo Alckmin (2018), Soraya Thronicke (2022) e João Doria à Prefeitura de São Paulo (2016). A estratégia deve ganhar força com a propaganda eleitoral na TV. "Essa é uma campanha de construção da candidatura, mas também é uma campanha de desconstrução do adversário", disse.

A ofensiva ocorre em uma eleição na qual Lula e Flávio já têm bases consolidadas. O desafio é alcançar quem está fora desses núcleos, especialmente o eleitor independente. Marina Verenicz, apresentadora do Mapa de Risco, observou que os primeiros movimentos mostraram os dois candidatos buscando seus territórios mais conhecidos. Lula iniciou em São Bernardo do Campo; Flávio voltou a Copacabana, palco recorrente de atos da família Bolsonaro. "A gente vê os dois voltando às suas origens para tentar falar ali com o seu eleitor um pouco mais fiel", afirmou.

Para Marina, episódios negativos têm provocado desgaste sem transferência direta de votos. Após revelações envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro, parte dos eleitores migrou para indecisos, brancos e nulos. "A gente não viu subir o Caiado, a gente não viu subir o Renan. Não foi uma migração automática."

A desconstrução também passará pela economia. Guimarães avalia que as campanhas apresentarão leituras opostas da mesma realidade: a governista explora indicadores positivos; a oposição enfatiza problemas e insegurança. "Para quem vota no presidente Lula, a situação econômica está estável. Para a narrativa bolsonarista, está ao contrário: o Brasil está num caos", disse. A capacidade de impor essa interpretação é crucial, pois indicadores nacionais nem sempre coincidem com a percepção individual. "A agenda positiva econômica do Lula não parece ter chegado no bolso do eleitor com essa potência", avaliou Marina.

O Mapa de Risco vai ao ar às sextas-feiras, a partir das 6h, no YouTube e em tocadores de podcast.

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