Economia

El Niño deve custar caro ao PIB do Brasil com choques

ResumoO El Niño deve custar caro ao PIB do Brasil, com choques simultâneos no agronegócio, na geração de energia e no crédito rural. A instabilidade climática reduz a produtividade agrícola, eleva custos de insumos e pressiona a inflação de alimentos. O impacto fiscal e setorial exige monitoramento de políticas públicas para mitigar perdas econômicas em 2024.

A instabilidade do clima deixou de ser só pauta ambiental. O El Niño deve custar caro ao PIB do Brasil, com choques no agro, na energia e no crédito rural. Entenda os riscos.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 10 de agosto de 2026
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A instabilidade do clima deixou de ser apenas uma pauta ambiental. O aumento da temperatura e a frequência de eventos climáticos extremos atingem de forma direta a produção do agronegócio, o setor elétrico, o mercado imobiliário e os custos do setor financeiro. Para o Brasil, o impacto pode ser ainda mais severo, com reflexos diretos no PIB.

O que o El Niño pode custar ao PIB do Brasil?

Segundo Paulo Artaxo, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o modelo econômico global vigente se tornou insustentável até no curto prazo. Em entrevista ao videocast O Clima na Faria Lima, do InfoMoney, apresentado por Marina Cançado, o pesquisador explicou que a ciência e o Fórum Econômico Mundial de Davos reconhecem o risco: nos últimos cinco relatórios, entre os dez maiores riscos para o sistema econômico global, até cinco estão associados à questão climática ou ambiental.

Por que o Brasil é mais vulnerável ao clima?

A localização geográfica tropical acentua o impacto econômico das transformações ambientais. Enquanto a média global de aquecimento se aproxima de 1,45 °C, a elevação em território nacional pode atingir patamares entre 3,5 °C e 4 °C. Isso afeta diretamente a produtividade do campo e a geração de energia.

A desregulamentação do regime de chuvas compromete a agricultura irrigada e de sequeiro no Brasil Central, que depende da umidade trazida pela Amazônia. Com o aumento do desmatamento ilegal, esse fluxo hídrico é alterado, criando prejuízos acumulados para os produtores rurais. Além disso, as exportações ficam expostas a exigências internacionais mais rígidas de rastreabilidade socioambiental.

Como o agro sente os choques climáticos?

Para monitorar as áreas e garantir o cumprimento da lei, o país conta com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e com a rede MapBiomas, que mapeiam o histórico do uso da terra e ajudam a identificar infrações na cadeia produtiva do agronegócio. Mas os prejuízos já são bilionários.

Artaxo pontua que há outra camada de pressão para determinados setores: com perdas causadas por secas e inundações históricas, seguradoras e instituições bancárias vão precisar recalcular o custo do crédito e a concessão de apólices rurais. A inação gera custos muito maiores do que os investimentos necessários para a adaptação.

Energia: renováveis como saída financeira

Para além da mitigação de danos, a transição para fontes renováveis apresenta viabilidade e eficiência financeira. A geração de energia por fontes solar e eólica já opera com custos inferiores aos da energia fóssil, oferecendo ao Brasil a oportunidade de consolidar uma matriz elétrica barata e competitiva.

Isso importa em um cenário em que o setor elétrico é um dos mais expostos aos choques climáticos. A dependência de hidrelétricas, combinada a secas prolongadas, eleva o custo da energia e pressiona a inflação.

O que o mercado financeiro já está fazendo?

Com possibilidade de risco de desvalorização em ativos ligados ao petróleo e a atividades intensivas em carbono, o mercado financeiro e as corporações começam a redirecionar o capital para projetos sustentáveis. Para o especialista, negligenciar essas mudanças compromete a estabilidade das organizações.

O custo do crédito rural tende a subir, e as apólices de seguro para o campo devem ficar mais caras ou mais restritas. Quem depende do financiamento agrícola precisa se preparar para um cenário de maior escrutínio e de prêmios de risco mais altos.

Infraestrutura litorânea: portos na mira

Para que haja adaptação econômica, Artaxo menciona que também é preciso rever o planejamento de infraestrutura de longo prazo em áreas litorâneas. Com 8.500 km de costa, a exposição ao aumento do nível dos oceanos reflete perigos para portos fundamentais para a balança comercial, como o porto de Santos, em São Paulo.

Se o nível do mar subir, a logística de exportação pode sofrer interrupções, com impacto direto no PIB. A adaptação de portos e zonas costeiras precisa entrar na agenda de longo prazo.

O que isso significa para o seu bolso?

O custo do crédito, o preço da energia e o valor dos alimentos são canais de transmissão diretos. Quando o agro perde produtividade, a comida fica mais cara. Quando a energia fica mais escassa, a conta sobe. E quando seguradoras e bancos elevam o prêmio de risco, o crédito para o produtor encarece.

Para o consumidor final, a mensagem é de cautela: os efeitos do El Niño não ficam restritos ao campo. como o clima afeta o preço dos alimentos

Perguntas Frequentes

O El Niño pode realmente afetar o PIB do Brasil?

Sim. Segundo o professor Paulo Artaxo, da USP, o impacto econômico é direto na produção do agronegócio e na geração de energia, setores que pesam no PIB. A elevação da temperatura no país pode chegar a entre 3,5 °C e 4 °C, acima da média global.

Quais setores são mais atingidos?

Agronegócio, setor elétrico, mercado imobiliário e setor financeiro. As perdas no campo já são bilionárias, e seguradoras e bancos precisarão recalcular custos de crédito e apólices rurais.

Por que o Brasil é mais vulnerável que outros países?

Pela localização tropical e pela dependência da umidade da Amazônia para a agricultura no Brasil Central. O desmatamento ilegal altera o fluxo hídrico e amplia os prejuízos.

Energia renovável pode ajudar?

Sim. A geração solar e eólica já opera com custos inferiores aos da energia fóssil, o que pode tornar a matriz elétrica brasileira mais barata e competitiva.

O que o mercado financeiro está fazendo?

Redirecionando capital para projetos sustentáveis, diante do risco de desvalorização de ativos ligados ao petróleo e a atividades intensivas em carbono. investimentos sustentáveis no Brasil

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