Economia

Economia da zona do euro cresce mais que o esperado no 2º tri com IA

ResumoA economia da zona do euro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre, superando a expectativa de 0,2%. O resultado, divulgado pelo Eurostat, foi impulsionado por investimentos em inteligência artificial e gastos governamentais, demonstrando resiliência diante dos custos de energia e da guerra no Irã.

A economia da zona do euro cresceu 0,4% no segundo trimestre, superando a expectativa de 0,2%, impulsionada por investimentos em IA e gastos governamentais. O dado, divulgado pelo Eurostat, mostra resiliência apesar dos custos de energia e da guerra no Irã.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 30 de julho de 2026
Economia da zona do euro cresce mais que o esperado no 2º tri com IA

Economia da zona do euro cresce mais que o esperado no 2º tri com IA e confiança do consumidor

A economia da zona do euro cresceu 0,4% no segundo trimestre ante o trimestre anterior, superando a expectativa de 0,2% da pesquisa da Reuters, segundo dados do Eurostat divulgados nesta quinta-feira (30). O resultado foi impulsionado pelo aumento dos investimentos em inteligência artificial, gastos governamentais generosos e fatores pontuais, que mais que compensaram o impacto negativo dos altos custos de energia e da guerra no Irã.

Em comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento acelerou para 1,0%, contra projeção de 0,5%, com revisões para cima em dados anteriores. O bloco de 21 países e 360 milhões de habitantes mostra resiliência, mas o ritmo ainda é fraco diante do boom nos Estados Unidos.

Por que o PIB da zona do euro surpreendeu?

O crescimento veio acima do esperado graças a uma combinação de fatores. Os investimentos empresariais em IA dispararam na Europa, enquanto o consumo das famílias se manteve firme, contrariando expectativas pessimistas. O governo da Alemanha, de forma lenta mas segura, aumentou gastos prometidos em defesa e infraestrutura.

A indústria, em baixa há anos, também surpreendeu. Apesar dos custos de energia elevados, o setor pode ter contribuído para o crescimento, ao contrário de anos anteriores, quando exerceu peso negativo sobre o PIB.

Desemprego estável e confiança em alta reforçam resiliência

O desemprego na zona do euro manteve-se estável em 6,3% em junho, contrariando previsões de enfraquecimento do mercado de trabalho. Um importante indicador de confiança econômica, também divulgado nesta quinta-feira, subiu mais do que o esperado, impulsionado por melhora no ânimo dos setores industrial e de serviços.

Esse cenário reforça a narrativa de resiliência observada em crises anteriores, como a pandemia da Covid-19 e após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Desempenho dos países: Alemanha, França, Itália e Espanha

Entre as maiores economias do bloco, Alemanha, França e Itália cresceram 0,2% cada no trimestre. A Espanha, que há anos apresenta o melhor desempenho relativo, expandiu 0,7%, acima da expectativa de 0,6%. Já a Holanda cresceu 0,4%, o dobro da taxa esperada.

A Alemanha, terceira maior economia do mundo, segue com crescimento modesto, mas os gastos do governo em defesa e infraestrutura começam a dar sinais de tração.

Guerra no Irã e energia: riscos para o segundo semestre

Apesar dos números positivos, o horizonte ainda tem nuvens. A recente escalada da guerra no Oriente Médio preocupa analistas. "Isso provavelmente prejudicará a recuperação econômica no segundo semestre do ano", disse Jörg Krämer, economista do Commerzbank, citando o impacto do conflito entre EUA e Irã.

Os custos crescentes de energia já minaram grande parte do ímpeto de recuperação esperado para o início do ano. A maioria dos analistas agora prevê um crescimento anual inferior a 1% em 2026, abaixo do potencial já reduzido do bloco.

Comparação com os EUA: ritmos diferentes

O crescimento da zona do euro contrasta com o boom contínuo nos Estados Unidos, cuja economia provavelmente crescerá mais de 2% este ano. O desempenho americano é impulsionado em parte pelos gastos excessivos e potencialmente insustentáveis do setor privado com inteligência artificial.

Ainda assim, o bloco europeu demonstra o tipo de resiliência observada em recessões anteriores. Os investimentos em IA, embora menores que nos EUA, vêm crescendo e ajudam a sustentar a atividade.

O que esperar da economia europeia nos próximos meses?

O segundo trimestre mostrou que a zona do euro ainda tem fôlego, mas o crescimento continua fraco. A guerra no Oriente Médio e os custos de energia seguem como principais riscos. A confiança do consumidor e os investimentos em IA podem dar suporte, mas não devem reverter o quadro de desaceleração estrutural.

Para investidores, o dado reforça a importância de monitorar os gastos com tecnologia e a política fiscal dos países do bloco, especialmente Alemanha e França, como motores de curto prazo.

Perguntas Frequentes

O que é a zona do euro?

A zona do euro é o bloco de 21 países da União Europeia que adotam o euro como moeda oficial, com cerca de 360 milhões de habitantes.

Qual foi o PIB da zona do euro no 2º trimestre de 2026?

O PIB cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior e 1,0% na comparação anual, segundo o Eurostat.

O que impulsionou o crescimento acima do esperado?

Os principais fatores foram investimentos em IA, gastos governamentais, confiança do consumidor e resiliência da indústria, que compensaram os custos de energia e a guerra no Irã.

A guerra no Irã afeta a economia europeia?

Sim. A escalada do conflito no Oriente Médio, segundo o economista Jörg Krämer, do Commerzbank, deve prejudicar a recuperação no segundo semestre, principalmente por impactar os custos de energia.

Como a Alemanha se saiu no trimestre?

A Alemanha cresceu 0,2% no trimestre, com aumento lento mas gradual dos gastos em defesa e infraestrutura.

Qual a diferença entre o crescimento da zona do euro e dos EUA?

Enquanto a zona do euro cresce perto de 1% ao ano, os EUA devem crescer mais de 2% em 2026, impulsionados por gastos com IA e consumo privado.

Leia também

Publicidade