Mercado Valor 🔍
Mercado Valor
Editorias
Institucional
Economia

Durigan rebate argumentos dos EUA contra Pix e espera reversão de tarifas

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Durigan, rebateu nesta quinta-feira os argumentos apresentados pelos Estados Unidos contra o sistema Pix e declarou esperar que as novas tarifas comerciais não sejam mantidas. A declaração foi feita durante entrevista coletiva após reunião com representantes do setor produtivo.

Durigan rejeitou as críticas dos EUA ao Pix, classificando-as como infundadas. Ele afirmou esperar que as novas tarifas anunciadas não se mantenham, confiando no diálogo bilateral para reverter a medida e preservar o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Argumentos dos EUA contra o Pix

Segundo Durigan, as objeções norte-americanas ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro carecem de fundamento técnico. O Pix opera sob regulação do Banco Central do Brasil, que estabelece padrões de segurança e interoperabilidade. O secretário destacou que o sistema é auditado internacionalmente e atende a todas as recomendações do G20 para meios de pagamento digitais.

"As alegações de que o Pix representaria risco à concorrência ou à privacidade dos usuários não se sustentam quando analisados os dados oficiais", afirmou Durigan, citando relatórios do Banco Central que mostram a adesão voluntária de mais de 150 milhões de usuários.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Fazenda, já havia sinalizado que adotaria medidas diplomáticas e comerciais caso as tarifas fossem mantidas. Durigan reiterou que o Brasil buscará todos os canais de negociação, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC), para garantir que as regras do comércio internacional sejam respeitadas.

"Esperamos que o bom senso prevaleça e que as novas tarifas não fiquem de pé", completou o secretário, evitando especular sobre retaliações imediatas.

Impacto das tarifas sobre o comércio bilateral

As tarifas anunciadas pelos EUA afetam diretamente setores como o de aço, alumínio e produtos agrícolas brasileiros. Dados do Ministério da Economia indicam que o Brasil exportou cerca de US$ 30 bilhões em produtos para os EUA em 2025. Uma eventual manutenção das tarifas poderia reduzir esse fluxo em até 15% no curto prazo, segundo projeções de consultorias privadas.

O secretário do Tesouro ponderou que o momento é de cautela, mas não de pessimismo. "O diálogo comercial entre Brasil e EUA é maduro. Temos canais abertos e confiamos que encontraremos uma solução", disse.

Posição dos EUA e cenário internacional

Os Estados Unidos justificaram as tarifas com base em supostas práticas desleais de comércio por parte do Brasil, incluindo a operação do Pix. Especialistas em comércio internacional, como o professor da FGV, Marcos Troyjo, avaliam que a argumentação é frágil e pode ser contestada na OMC.

"O Pix é um caso de sucesso em inclusão financeira, não uma barreira comercial. A tentativa de associá-lo a tarifas é, no mínimo, questionável", afirmou Troyjo em artigo recente comercio internacional brasil eua.

Perspectivas para os próximos meses

Durigan sinalizou que o Brasil não recuará nas negociações e que o governo está preparado para cenários adversos. A expectativa é de que uma reunião bilateral ocorra nas próximas semanas, com a participação de representantes do Tesouro e do Departamento de Comércio dos EUA.

O secretário evitou dar prazos, mas afirmou que "a tendência é de reversão, desde que haja boa vontade de ambas as partes".

Perguntas Frequentes

O que Durigan disse sobre os argumentos dos EUA contra o Pix?

Durigan classificou os argumentos como infundados e destacou que o Pix é regulado pelo Banco Central, com padrões internacionais de segurança.

As tarifas dos EUA contra o Brasil serão mantidas?

O secretário afirmou esperar que as tarifas não fiquem de pé, confiando no diálogo bilateral para reverter a medida.

Qual o impacto das tarifas sobre a economia brasileira?

As tarifas afetam setores como aço, alumínio e agrícolas, podendo reduzir as exportações brasileiras para os EUA em até 15% no curto prazo.

O Brasil pode retaliar?

O governo não descarta medidas diplomáticas e comerciais, incluindo ação na OMC, mas prioriza o diálogo.

Como o Pix se relaciona com as tarifas?

Os EUA usaram o Pix como justificativa para as tarifas, mas o Brasil argumenta que não há relação técnica entre o sistema de pagamentos e as regras comerciais.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
Ver todos os artigos →