Economia

Dólar sobe a R$ 5,13 após payroll forte nos EUA

ResumoO dólar à vista subiu 0,52% e fechou a R$ 5,1308, interrompendo quatro quedas consecutivas. O movimento ocorreu após o payroll dos Estados Unidos superar expectativas, reforçando apostas em novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. A cotação reflete o impacto direto de dados de emprego americanos sobre o câmbio brasileiro.

Dólar à vista interrompe sequência de 4 quedas e fecha a R$ 5,1308, com alta de 0,52%, após payroll dos EUA reforçar aposta de alta de juros pelo Fed.

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 04 de setembro de 2026
Dólar sobe a R$ 5,13 após payroll forte nos EUA

O dólar à vista encerrou o último pregão da semana em alta, a R$ 5,1308, com avanço de 0,52%, interrompendo uma sequência de quatro quedas seguidas. O movimento veio após o payroll de agosto nos Estados Unidos surpreender o mercado e reforçar as apostas de uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) na próxima decisão de política monetária.

O relatório oficial de empregos não-agrícolas apontou a criação de 162 mil vagas em agosto, bem acima da expectativa de 55 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1%. Os dados de meses anteriores foram revisados para cima: junho subiu de 20 mil para 31 mil, e julho passou de fechamento de 23 mil para abertura de 21 mil vagas.

"Esse forte aquecimento do mercado de trabalho norte-americano reacendeu o temor de que o Fed precisará manter as taxas de juros em patamares restritivos por um período prolongado, dando suporte ao dólar", explica Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Após o dado, o mercado elevou as apostas de alta. A ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta 58,2% de chance de o Fed elevar a taxa em 25 pontos-base na decisão do Fomc do dia 16. A probabilidade de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% é de 41,8%, ante 50,6% na véspera.

Na avaliação da Capital Economics, até defensores de política monetária dovish teriam dificuldade em achar no payroll argumentos para manter os juros. A consultoria ressalta que a possibilidade de alta em setembro depende dos dados de inflação da próxima semana, como o CPI.

No cenário doméstico, as eleições de outubro seguem no radar. Pesquisas recentes mostram disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que reforçou apostas de troca de governo em 2027.

Na semana, o dólar acumulou queda de 1,26% ante o real. O DXY, que compara a moeda a uma cesta de seis divisas, operava com alta de 0,23%, aos 99,140 pontos, por volta de 17h. Para o investidor, o juro composto não perdoa: a direção do câmbio nas próximas semanas dependerá do CPI americano e do tom da disputa eleitoral local.

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