Dólar sobe a R$ 5,11 com escalada das tensões no Oriente Médio
O dólar à vista encerrou em alta de 0,52% nesta quarta-feira (9), cotado a R$ 5,1123, com a escalada das tensões no Oriente Médio pressionando o petróleo para mais de US$ 101. O movimento local acompanhou o cenário internacional, com aversão a risco predominando entre investidores.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) negou que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) tenha atingido dois destróieres da Marinha dos EUA na região. Por outro lado, afirmou ter atacado dez petroleiros iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz. Nas últimas 24 horas, a Organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) registrou ao menos três ataques contra embarcações no Golfo Pérsico.
A IRGC anunciou a criação de uma zona marítima restrita, com início na região iraniana de Chabahar e extensão por áreas do Golfo de Omã e do Mar Arábico. Embarcações que entrarem na área estarão sujeitas a sanções. Paralelamente, o confronto entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, também se intensifica.
O mercado espera ainda a divulgação de importantes dados de inflação dos Estados Unidos, com o índice de preços ao produtor (PPI) saindo na manhã desta quinta-feira (10). Na avaliação do economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, os novos ataques levam o petróleo para cima com força, reacendendo o temor de pressão inflacionária global às vésperas de decisões de política monetária na zona do euro, no Japão e nos EUA.
"Parte do movimento também reflete um ajuste técnico depois da forte queda recente da moeda americana por aqui. A proximidade das eleições no Brasil segue no radar dos investidores como fonte de incerteza, o que ajuda a conter um avanço ainda maior do dólar", acrescenta. A nova pesquisa Meio/Ideia mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno, ambos com 46%.
Para o investidor, o cenário reforça a cautela no câmbio: o ciclo de aversão a risco tende a manter o dólar pressionado enquanto as tensões geopolíticas não arrefecerem. impacto do petróleo no câmbio eleições e mercado financeiro