Dólar sobe e fecha perto de R$ 5,15 com aversão a risco
Dólar sobe e fecha perto de R$ 5,15 na segunda-feira (14), pressionado por aversão a risco, avanço do petróleo e incertezas no cenário doméstico. O Ibovespa caiu 0,91%, aos 185.500,88 pontos.
O dólar e a bolsa brasileira encerraram a segunda-feira (14) pressionados pela aversão ao risco nos mercados. A moeda norte-americana se aproximou de R$ 5,15, enquanto o Ibovespa recuou quase 1%. O dia foi marcado pelo avanço do petróleo, por incertezas no cenário político doméstico e por tensões geopolíticas.
O dólar chegou a subir mais de 1% pela manhã e atingiu a máxima de R$ 5,183, pouco antes das 11h. A pressão refletiu a valorização da moeda no exterior e a busca por ativos considerados mais seguros diante do avanço do petróleo e das tensões geopolíticas. A cotação perdeu força à tarde e tocou a mínima de R$ 5,1414, depois que declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis negociações com o Irã reduziram parte das preocupações com a oferta global de petróleo.
No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar ante seis moedas fortes, avançava 0,41% no fim da tarde, aos 99,508 pontos. Em Nova York, o S&P 500 encerrou com queda de 0,48%, afetado também por preocupações com riscos ligados ao avanço da inteligência artificial.
No Brasil, as incertezas políticas influenciaram os negócios em meio à divulgação de pesquisas eleitorais. O mercado também acompanha a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master. O caso relacionado ao ministro Alexandre de Moraes está previsto para ser analisado pelo plenário do STF nesta terça-feira (15).
O Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,91%, aos 185.500,88 pontos. O índice oscilou entre a mínima de 183.813,36 e a máxima de 187.320,96 pontos, com volume financeiro de R$ 24,4 bilhões. A queda foi pressionada principalmente por ações de mineradoras, num ambiente de recuo dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China. O cenário político brasileiro também contribuiu para a instabilidade.
O petróleo foi um dos principais fatores de pressão. O Brent para novembro chegou a ser negociado a US$ 109,80 durante a manhã, alta próxima de 5%, após novos ataques contra infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. A cotação perdeu força à tarde com a indicação de possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã e notícias sobre uma eventual suspensão de ataques à infraestrutura energética entre Rússia e Ucrânia. Ainda assim, o barril do tipo Brent terminou o dia a US$ 105,68, alta de 1,02%. O contrato acumula ganhos superiores a 15% em setembro e de aproximadamente 75% no ano.
A alta do petróleo aumenta as preocupações sobre inflação e pode influenciar as decisões de política monetária das principais economias, mantendo o tema no centro das atenções nesta semana. No mercado de juros, a expectativa é de redução do diferencial entre as taxas brasileira e norte-americana. O Federal Reserve (Fed) decidirá sobre os juros nos EUA na quarta-feira (17), enquanto o mercado projeta continuidade do ciclo de cortes da Selic.
No acumulado de setembro, o dólar PTAX de venda saiu de R$ 5,1253 em 4/9 para R$ 5,1696 em 14/9, com oscilações diárias que refletem a busca por proteção em meio ao noticiário externo. Para quem acompanha câmbio há anos, a sequência ilustra como o mercado brasileiro segue sensível a choques de oferta de petróleo e a ruídos políticos domésticos, sem tendência definida enquanto os juros das duas economias não se aproximam.