Dólar recua a R$ 5,10 após decisão do Fed; entenda os motivos
O dólar à vista recuou a R$ 5,1084 após o Fed manter a taxa de juros nos EUA entre 3,50% e 3,75%. A decisão teve três votos dissidentes, o maior número desde 2016, e o presidente Kevin Warsh minimizou a divergência. Tensões entre EUA e Irã também pressionaram o petróleo.
O dólar à vista recuou a R$ 5,1084 após o Federal Reserve manter os juros nos EUA entre 3,50% e 3,75%. A queda de 0,27% acompanhou o enfraquecimento da moeda no exterior, com o DXY recuando 0,52%. Três dirigentes votaram por alta de 0,25 ponto, mas o presidente do Fed minimizou a dissidência.
Dólar cai a R$ 5,10 após Fed manter juros nos EUA
Nesta quarta-feira (29), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1084, em queda de 0,27%. A movimentação veio após a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e das falas do presidente do BC norte-americano.
O dólar acompanhou o enfraquecimento da divisa no exterior. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, recuava 0,52%, aos 100.900 pontos.
Segundo o Banco Central, o dólar PTAX de venda em 29/07/2026 foi R$ 5,1217. O dado oficial contrasta com a cotação à vista, que ficou abaixo desse patamar.
Decisão do Fomc: juros mantidos com três votos dissidentes
O mercado de câmbio acompanhou a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve, que manteve a taxa de juros inalterada no intervalo de 3,50% a 3,75% nos Estados Unidos. No entanto, houve três votos dissidentes, o maior número desde 2016.
Votaram contra a medida de política monetária Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan, que preferiram elevar a meta para a taxa de juros dos fundos federais em 0,25 ponto percentual nesta reunião.
Na coletiva de imprensa após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, minimizou a dissidência. "Eu pedi uma boa briga de família e foi exatamente isso que aconteceu", afirmou. Segundo ele, a existência de votos divergentes faz parte do desenho institucional do banco central e melhora a qualidade das decisões.
"Quero enfatizar, é claro, que as decisões deste comitê são muito importantes e, quando necessário e apropriado, não hesitaremos em agir", disse o presidente do Fed, Kevin Warsh, durante a coletiva de imprensa.
Mercado vê risco de alta em setembro
No entanto, o Treasury de 30 anos seguiu operando em alta após a decisão, sinalizando que o Fed pode estar atrasado no combate à inflação, uma vez que a taxa de juros foi mantida.
Na ferramenta Fed Watch, do CME Group, 53,2% apostam em uma elevação na taxa de juros dos Estados Unidos em setembro. Antes da reunião, o número estava próximo de 80%.
Tensões no Oriente Médio impulsionam petróleo
Já na geopolítica, as tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a escalar após Teerã atacar países com bases militares dos EUA no Oriente Médio.
Além disso, o Irã rejeitou uma proposta de Omã para estabelecer uma gestão conjunta do Estreito de Ormuz, por considerar que o plano "não tem qualquer chance de sucesso" e não atende aos interesses de Teerã, segundo informações divulgadas por canais da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês).
Em entrevista à Fox News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu retaliar duramente o Irã nesta quarta-feira, depois que as Forças Armadas dos EUA informaram ter interceptado vários mísseis balísticos lançados por Teerã contra as forças norte-americanas no Oriente Médio.
Como reflexo dos desdobramentos do conflito, o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para outubro terminou o dia com salto de 7,32%, a US$ 88,09 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, próximo da máxima intradia, a US$ 88,41.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro avançou 6,56%, a US$ 84,46 o barril, após subir até US$ 85,57 na máxima intradia.
Impacto no bolso do brasileiro
A combinação de dólar em queda e petróleo em disparada cria um cenário misto para a economia brasileira. De um lado, o recuo do câmbio alivia importações e pode ajudar a conter a inflação. De outro, a alta do petróleo pressiona os preços dos combustíveis, que afetam diretamente o orçamento das famílias.
Para quem tem dívidas em dólar ou planeja viajar para o exterior, a cotação mais baixa é um alívio momentâneo. Mas o mercado segue atento aos próximos passos do Fed e ao agravamento do conflito no Oriente Médio.
Perguntas Frequentes
O que motivou a queda do dólar para R$ 5,10?
A queda foi impulsionada pela decisão do Fed de manter os juros nos EUA entre 3,50% e 3,75%, combinada com o enfraquecimento global do dólar, medido pelo DXY.
Quantos votaram contra a manutenção dos juros no Fed?
Três dirigentes votaram contra: Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan, que preferiram elevar a taxa em 0,25 ponto percentual.
O que o presidente do Fed disse sobre os votos dissidentes?
Kevin Warsh afirmou que pediu "uma boa briga de família" e que a divergência faz parte do desenho institucional do banco central.
O mercado espera alta de juros nos EUA em setembro?
Segundo a ferramenta Fed Watch do CME Group, 53,2% dos investidores apostam em uma elevação da taxa em setembro.
Como as tensões entre EUA e Irã afetam o petróleo?
O petróleo Brent subiu 7,32%, para US$ 88,09 o barril, e o WTI avançou 6,56%, para US$ 84,46, refletindo o risco de interrupção no fornecimento do Estreito de Ormuz.
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