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Dólar hoje recua 0,28% com inflação dos EUA em linha

Dólar hoje recua após dados de inflação nos EUA e ganhos da véspera

O dólar opera com baixa ante o real nesta quarta-feira (12), devolvendo parte dos fortes ganhos da véspera, com o mercado repercutindo dados de inflação nos Estados Unidos em linha com o esperado. Às 9h35, o dólar à vista recuava 0,28%, aos R$ 5,146 na venda. O contrato de dólar futuro para setembro, atualmente o mais líquido no Brasil, caía 0,28% na B3, a R$ 5,168.

O que diz o CPI dos EUA e por que o mercado reage

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,1% em julho. Na base anual, o índice avançou 3,4%. A pesquisa da Reuters apontava expectativa de alta de 0,1% no mês passado, após queda de 0,4% em junho. Nos 12 meses até julho, a expectativa era de avanço de 3,4%, contra 3,5% em junho.

O dado veio dentro do esperado, o que aliviou parte da pressão sobre o câmbio. Em cenários de inflação acima do previsto, o mercado tende a precificar juros mais altos por mais tempo nos EUA, o que costuma fortalecer o dólar globalmente. Com o número em linha, o movimento de correção ganhou espaço.

Para o investidor, o ponto central é que o CPI de julho não trouxe surpresa. Isso reduz a chance de um aperto monetário mais agressivo pelo Federal Reserve no curto prazo, ainda que a leitura anual de 3,4% continue acima da meta de 2%.

Serviços do Brasil surpreendem e ajudam o real

No cenário doméstico, o volume do setor de serviços do Brasil ficou estável em junho em relação a maio e teve alta de 2,0% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os números vieram melhores do que o esperado: a projeção de economistas consultados pela Reuters era de queda de 0,2% na comparação com maio e avanço de 1,4% ante maio.

O resultado reforça a resiliência da atividade doméstica, o que tende a dar suporte ao real. Quando a economia brasileira mostra força, o fluxo de capital estrangeiro para a renda variável e a renda fixa local costuma aumentar, o que pressiona o dólar para baixo.

A combinação entre um CPI americano benigno e um dado de serviços brasileiro acima do consenso cria um ambiente favorável à moeda local nesta quarta-feira.

Dólar à vista: cotação e patamar de referência

Às 9h35, o dólar à vista operava a R$ 5,146 na venda, com baixa de 0,28%. O contrato futuro para setembro, o mais líquido na B3, caía no mesmo ritmo, a R$ 5,168.

Para efeito de comparação, o dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,1285 em 11/08/2026, segundo o Banco Central. Na sessão anterior, o PTAX havia sido de R$ 5,0963.

A sequência recente do PTAX ajuda a dimensionar o movimento. Em 07/08, o dólar estava em R$ 5,0908; em 06/08, R$ 5,1017; em 05/08, R$ 5,1154; e em 04/08, R$ 5,1053 (Banco Central).

A leitura é clara: o câmbio vinha oscilando em uma faixa entre R$ 5,09 e R$ 5,15 nas últimas sessões. A alta da véspera, que o mercado devolve hoje, foi um movimento pontual, não uma mudança de tendência.

O que muda para o investidor com esse cenário

Para quem acompanha o câmbio de perto, o dado de hoje tem dois efeitos práticos. O primeiro é a redução da volatilidade: com o CPI em linha, o mercado não precisa reprecificar juros americanos de forma abrupta. O segundo é o reforço da tese de que a economia brasileira segue em ritmo mais forte que o esperado.

No entanto, o investidor deve manter a cautela. A inflação anual americana em 3,4% ainda está longe da meta do Federal Reserve, e qualquer leitura mais quente nos próximos meses pode reverter o fluxo. Além disso, o câmbio segue sensível a notícias fiscais e políticas domésticas.

O ciclo sempre vira, mas a direção de curto prazo depende de dados. Hoje, os números favorecem o real. Amanhã, pode ser diferente.

Contexto macro: inflação brasileira e o impacto no câmbio

A inflação doméstica também entra na equação. O IPCA registrou variação de 0,07% em julho de 2026, segundo o Banco Central. Em junho, a variação foi de 0,16%, e em maio, de 0,58%.

A desaceleração do IPCA nos últimos dois meses dá ao Banco Central espaço para manter a política monetária sem pressão adicional. Juros estáveis ou em queda tendem a reduzir o diferencial de taxa para o exterior, o que pode diminuir o apetite por carry trade, mas o efeito sobre o câmbio é ambíguo no curto prazo.

O ponto é que, com a inflação doméstica controlada e a atividade surpreendendo, o real encontra suporte tanto pelo lado externo quanto pelo lado interno.

O que observar nos próximos dias

O mercado agora aguarda os próximos indicadores americanos para calibrar as apostas sobre o Fed. Qualquer sinal de pressão inflacionária pode reacender a alta do dólar. No Brasil, a agenda de dados segue movimentada, e o resultado dos serviços de hoje já foi um alívio.

Para o trader de curto prazo, a faixa de R$ 5,10 a R$ 5,15 segue como referência. Uma quebra consistente abaixo de R$ 5,10 abriria espaço para testar os R$ 5,09 vistos no início do mês. Acima de R$ 5,17, o cenário de alta voltaria a ganhar força.

O investidor de longo prazo, por sua vez, deve olhar o câmbio como parte de um portfólio diversificado. Movimentos diários de 0,3% são ruído, não sinal.

Perguntas Frequentes

Por que o dólar caiu hoje?

O dólar recuou 0,28% nesta quarta-feira (12), a R$ 5,146, após o CPI dos EUA subir 0,1% em julho, em linha com o esperado. O dado benigno reduziu a pressão sobre o câmbio, que devolveu parte dos ganhos da véspera.

Qual foi o CPI dos EUA em julho?

O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,1% em julho, e 3,4% na base anual. A expectativa da pesquisa da Reuters era de alta de 0,1% no mês, após queda de 0,4% em junho.

O que significa o resultado do setor de serviços do Brasil?

O volume de serviços ficou estável em junho ante maio e subiu 2,0% na comparação anual. O resultado veio acima do esperado, já que a projeção era de queda de 0,2% no mês e alta de 1,4% na base anual.

Qual a cotação do dólar PTAX hoje?

O dólar PTAX de venda em 11/08/2026 foi de R$ 5,1285, segundo o Banco Central. A cotação de hoje, em tempo real, pode ser acompanhada nos canais oficiais.

O dólar deve continuar caindo?

Depende dos próximos dados americanos e do cenário fiscal doméstico. Com o CPI em linha, o curto prazo tende a ser de estabilidade, mas a inflação anual de 3,4% ainda exige cautela.

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Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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