Dólar hoje inverte sinal e opera em baixa com eleição no foco
Dólar hoje inverteu o sinal no fim da manhã e passou a operar em baixa ante o real, na contramão do exterior, com a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg e a disputa presidencial no centro das atenções do mercado.
O dólar perdeu força ante o real e virou para o território negativo no fim da manhã desta quinta-feira, na contramão do exterior, em meio à expectativa pela divulgação de nova pesquisa sobre a disputa presidencial.
Às 12h20, o dólar à vista recuava 0,37%, a R$ 5,093 na venda. O dólar futuro para outubro, atualmente o mais negociado no mercado brasileiro, caía 0,30% na B3, aos R$ 5,111. Na véspera, a PTAX de venda ficou em R$ 5,0979, depois de R$ 5,0856 em 8 de setembro.
O que mudou no mercado de câmbio
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg está programada para esta quinta-feira. Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a especulação no mercado é de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecerá bem posicionado na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto.
No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio passou a superar Lula, com 52% das apostas de vitória, contra 45% do petista. Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Notícias favoráveis a Flávio têm favorecido a queda do dólar.
STF e exterior pressionam na direção oposta
Além da disputa eleitoral, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) segue no foco dos investidores. Na véspera, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas anteriormente pelos colegas André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência ou não no cargo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Além disso, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.
O recuo do dólar no Brasil ocorre na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana avança ante boa parte das demais divisas, em um dia marcado pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent para acima dos US$ 105 o barril.
Mais cedo, os EUA informaram que os preços ao produtor no país em agosto subiram 0,4% e os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na última semana, para 206.000 em dado com ajuste sazonal, ante projeção dos economistas ouvidos pela Reuters de 205.000 pedidos. Às 12h05, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,12%, a 98,901.
No início do dia, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso, operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. As duas operações simultâneas são conhecidas como "casadão" pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro. Para quem acompanha o câmbio no dia a dia, a leitura prática é simples: o dólar mais baixo encarece menos a viagem, mas também reduz o ganho de quem aposta na alta da moeda.