Dólar fecha perto dos R$5,20 após Warsh sobre inflação
O dólar fechou a sexta-feira em alta, cotado a R$5,1961, após o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmar que o BC americano terá 'trabalho a fazer' se a inflação dos EUA não voltar à meta. A divisa subiu 0,62% no dia, pressionada por juros altos nos EUA.
O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil, cotado a R$5,1961, após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá "trabalho a fazer" caso a inflação dos EUA siga acima da meta. A moeda subiu 0,62% no dia, mas acumula queda de 5,34% no ano. Na semana, a divisa avançou 1,06%.
Segundo o Banco Central, o dólar PTAX de venda fechou em R$5,2005, reforçando o movimento de alta. Durante a sessão, a cotação oscilou entre a mínima de R$5,1581 (-0,12%) às 9h02 e o pico de R$5,2315 (+1,30%) às 13h18, logo após a fala de Warsh. O dólar futuro para setembro, o mais negociado na B3, subia 0,67% às 17h11, aos R$5,1995.
Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou que o Fed "terá trabalho a fazer" se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente dos EUA está voltando à meta de 2%. "Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer", disse. Os comentários elevaram os rendimentos dos Treasuries e as apostas de alta de juros em setembro, fortalecendo o dólar ante moedas pares do real, como peso colombiano, rand sul-africano e peso chileno.
O nível da taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos de investimentos globais. Com a Selic em 14% no Brasil, o diferencial de juros vinha sendo um fator favorável à atração de dólares, mas o cenário mudou com a possibilidade de alta nos EUA e novas baixas no Brasil. "A moeda americana se valoriza não só contra o real, mas praticamente em relação a todas as divisas do mundo", resumiu Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.
A perspectiva de novos cortes da Selic foi ampliada após dados do Caged, que vazaram antes da divulgação oficial, apontarem a criação de 58.568 vagas formais em julho, bem abaixo das 112.000 projetadas por economistas ouvidos pela Reuters. No exterior, o índice do dólar subia 0,57% às 17h08, a 99,668.
Para o investidor, o cenário reforça a cautela: a combinação de juros altos nos EUA e cortes no Brasil tende a manter a pressão sobre o câmbio. Acompanhar os próximos passos do Fed e do Banco Central será essencial para posicionar carteiras investimentos em renda fixa.