Economia

Dólar cai a R$ 5,10 com disputa Lula e Flávio Bolsonaro

ResumoO dólar à vista encerrou a quarta-feira (2) em baixa de 0,92%, cotado a R$ 5,1084, menor nível desde 7 de agosto. A moeda norte-americana reagiu à pesquisa Quaest que aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, reduzindo prêmios de risco político no mercado cambial brasileiro.

O dólar à vista encerrou a quarta-feira (2) em baixa de 0,92%, a R$ 5,1084, menor patamar desde 7 de agosto, com o mercado avaliando a pesquisa Quaest que mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 02 de setembro de 2026
Dólar cai a R$ 5,10 com disputa Lula e Flávio Bolsonaro

O dólar à vista caiu 0,92% nesta quarta-feira (2), fechando a R$ 5,1084, no menor patamar desde 7 de agosto, com o mercado avaliando a pesquisa Quaest que indica uma disputa presidencial mais acirrada. Durante o pregão, a moeda atingiu mínima intradia de R$ 5,0987, queda de 1,11%. O movimento local acompanhou o dólar global: o DXY, que compara a moeda a uma cesta de seis divisas, operava com leve baixa de 0,08%, aos 99,596 pontos, por volta de 17h.

A queda da divisa reflete a precificação de uma possível troca de governo em 2027, após a pesquisa Quaest mostrar Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno: Lula tem 42% das intenções de voto, contra 41% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Lula lidera com 37%, ante 29% do adversário. O petista recuou 1 ponto porcentual, e Flávio Bolsonaro caiu 2 pontos, segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira.

"Nesse cenário, o investidor abre posições em dólar e juros como medida de hedge e, ao mesmo tempo, passa a buscar ativos de maior risco", afirma Marcos Bassani, economista e sócio fundador da Boa Brasil Capital. Para ele, esse movimento gera uma desvalorização momentânea da divisa norte-americana. A redução da vantagem do atual presidente reforça a aposta dos investidores em um cenário de maior controle dos gastos públicos, o que tende a beneficiar o real.

Em segundo plano, o mercado acompanhou dados de emprego nos Estados Unidos. O número de vagas no setor privado cresceu 38 mil em agosto, abaixo da previsão de 48 mil dos economistas consultados pela Reuters. O dado revisado de julho apontou 46 mil postos. O foco agora está no relatório oficial de empregos não-agrícolas, o payroll, que será divulgado na próxima sexta-feira (4).

No cenário geopolítico, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a nova campanha dos EUA contra o Irã não deve se prolongar por "muito tempo", após ataques na região do Estreito de Ormuz. A declaração mantém o radar de risco, mas sem pressionar o câmbio local.

Para o investidor, o recuo do dólar abaixo de R$ 5,10 reforça a leitura de que o câmbio segue sensível ao cenário eleitoral. A disputa mais equilibrada reduz o prêmio de risco, mas o mercado permanece atento aos próximos levantamentos. como a pesquisa eleitoral afeta o dólar impacto do payroll no câmbio

Acompanhar a evolução das pesquisas e os dados de emprego dos EUA será essencial para quem opera câmbio nas próximas semanas. O ciclo, como sempre, tende a virar conforme novos fatos surgirem.

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