Mercado Valor 🔍
Mercado Valor
Editorias
Institucional
Economia

Dólar cai a R$ 5,10 com eleições em foco no mercado

O dólar à vista encerrou a quinta-feira (10) a R$ 5,1027, com queda de 0,19%, em um dia de aversão a risco no mercado global. O trade eleitoral voltou a ditar o movimento do câmbio por aqui, enquanto o cenário externo apontava na direção oposta.

O dólar à vista fechou a R$ 5,1027 nesta quinta-feira (10), com queda de 0,19%, mesmo com o DXY em alta de 0,25%. O movimento local foi puxado pelo cenário eleitoral, após pesquisa mostrar empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula.

O que mudou no câmbio nesta quinta

O movimento local descolou do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com avanço de 0,25%, aos 99,067 pontos.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 46,4% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46,2%, numericamente empatados. A vantagem que era de 4,5 pontos porcentuais para Lula virou vantagem numérica de 0,4 ponto para Flávio, algo que não ocorria desde o levantamento de 28 de abril.

Com margem de erro de 1 ponto porcentual, Lula saiu da liderança isolada para o empate técnico com o senador. Brancos, nulos e eleitores que não souberam responder caíram de 10,3% para 7,4%.

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, afirma que o mercado está precificando uma expectativa crescente de vitória de Flávio e que há sinais desse movimento também no mercado preditivo.

"Mercado vem acompanhando essas mudanças [nas pesquisas] para reajustar posições com uma tendência de um governo pró-mercado", afirmou.

O que ficou de fora do radar

No exterior, o dólar avançou com a disparada dos rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, em meio à consolidação das apostas de alta nos juros pelo Federal Reserve.

Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 71,4% de chance de o Fed elevar os juros em 25 pontos-base na decisão do Fomc na próxima quarta-feira (16). A probabilidade de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% caiu de 38,8% para 28,6%.

A aposta de alta nos juros ganhou força após dados de inflação ao produtor e do avanço dos preços do petróleo para o nível de US$ 107 por barril do Brent. O mercado ficou à espera do CPI de agosto, que será divulgado nesta sexta (11). Embora não seja o índice de referência do Fed, o dado é acompanhado para calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros norte-americanos.

Para quem acompanha o câmbio no dia a dia, a leitura prática é que o dólar segue sensível a dois vetores ao mesmo tempo: as pesquisas eleitorais por aqui e os juros nos Estados Unidos. como acompanhar a cotação do dólar

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
Ver todos os artigos →